Como assim eu não tinha me dado conta disso?

Por Nathália DePaulla.

Por esses dias, sentada no mesmo sofá de sempre eu perguntei a alguém como conseguíamos nos divertir tanto sem ao menos fazer esforço. Contorcendo-nos em risadas, óbvio que não sabíamos a resposta e isso tornava a situação mais deliciosa ainda. Antes de dormir ainda rimos das piadas infames de sempre e naqueles 20 minutinhos onde a mente vai desligando lentamente eu comecei a pensar na minha balança de felicidades e momentos tristes, mas, não os momentos tristes como aquele final de filme ou a hora de cortar o cabelo, elegi só os momentos tristes de verdade e quis saber se eles poderiam pesar mais eu o meu lado feliz.

Pensei na saudade eterna da mamãe, na vontade de ver minhas irmãs todos os dias nem que fosse por dez minutinhos e nas peripécias do Pedrinho que eu perco por não vê-lo crescendo pertinho de mim e me chamando de tia Thatáia às seis da manhã. Pensei nos meus melhores e inestimáveis amigos que foram embora, e acabou. Nada mais me incomodou e nem me pareceu tão pesado, portanto, fechei a minha balança.

Do lado bom, coloquei tudo aquilo que me alimenta dia após dia. Mensagens carinhosas, meus telefonemas absurdos com as amigas de longe, aquela ressaca moral da última balada que agora volta com tudo, as caipirinhas com a Luiza, as semanas eternas de bagunça com as tias, o colo de outras e o carinho astronômico de uma tonelada de gente que me faz respirar melhor, me faz bem. Lembrei de como é bom ouvir uma certa pessoa me dizendo “Eu te amo muito, muito mesmo” mesmo nem estando presente na minha vida agora e lembrei também dos “te amos” das 3 pessoas da família que são as únicas que importam mais que tudo.

Quanta coisa! Eu via um filme enorme passando pela cabeça e por várias vezes tive que me esforçar um pouco mais para lembrar das coisas ruins… Bem que me disseram que elas aos poucos somem, diminuem e não fazem diferença. Aos poucos eu fui me perdendo nos pensamentos, senti tudo ficar leve e até a voz que contava histórias na minha mente ficou suave e serena. Adormeci com o peito cheio de alegrias e agradecendo até mesmo pelas coisas ruins que me abrem sempre espaços para outras definitivamente melhores.

Acordei no dia seguinte com cabelos espalhados no travesseiro, olhos inchados de tanto dormir e uma preguiça que não me deixava soltar o travesseiro, mas o sorriso no rosto era tão grande que em menos de um minuto eu estava andando em pulinhos pela sala e ouvi a pergunta que resumiu todo o meu resto do dia. Porque eu estava descabelada, de pijamas e pulando como o João quando está empolgado? Simples, porque eu me dei conta de que sou muito, mas muito feliz…

E ainda acordo com um suquinho de maracujá esperando... Não tem como ser ruim!

2 respostas para Como assim eu não tinha me dado conta disso?

  1. Carla disse:

    Tendemos a deixar os sentimentos ruins prevalecerem. Vivemos com uma sensação crônica de falta, de abandono que nos impede de apreciar as coisas boas ou reconhecer o quanto estamos bem. O exercício de olhar para o bom e praticar a aceitação, como você fez, nos leva para um lugar tranquilo e agradável dentro de nós. Outra coisa importante é praticar ficar sozinho com a gente mesmo. Bjs, Carla

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