Por Nathália DePaulla.
“Cala a boca!”
“Vai se ferrar!”
“Eu te amo, sabia?”
“Eu também…”
Nem parece verdade, nem era para ser. Mas do mesmo jeito que nenhum ser sabe explicar como as coisas acontecem e nem o por quê, talvez eu não saiba nos explicar. Quanto mais separadas, mais próximas pelos pensamentos positivos diários uma pela outra, quanto mais bravas, mais risadas com o dedo apontado na cara da outra tirando sarro do bico de brava e dos infinitos palavrões sem sentido nenhum que saem, que como diz a Adriana “são chiquetésimos para duas meninas educadas” como nós.
Do início, não lembro quase nada. Sei que foram horas até o resto do grupo ficar em silêncio porque naquele ambiente só nós duas falávamos. Depois disso tanta água passou por debaixo da ponte que a certeza de que a estrutura era sólida veio como um presente para as duas. São madrugadas fazendo projetos de arquitetura, são horas me ouvindo choramingar pela mesma história e são abraços infinitos a qualquer hora e sem razão que fazem o mundo voltar a ser bom. Você diz “Calma, você vai ver que tudo vai dar certo.” E de prontidão eu acredito porque do contrário você diria “Bem feito, você se fudeu!” Não há espaço para mentiras, para intrigas, para algo ruim… Aliás, entre nós duas não há espaço nenhum.
Uma é bailarina, a outra luta. De fato algo interessante havia de sair daí! Talvez porque vivemos histórias profundas antes de nos conhecermos, que ninguém mais sabe, e compartilhamos tomando leite e fumando cigarros de menta como se fosse a coisa mais normal do mundo contar. Talvez seja porque temos os mesmos assuntos absurdos e opiniões absurdas sobre coisas idiotas, mas que para nós são super importantes, como uma discussão sobre Baby Beef. Talvez seja porque eu quero ser mais relax como você e você mais fashionista (ou boiola como você costuma dizer) como eu, ou até mesmo porque aprendemos diariamente uma com a outra.
“Mas porque diabos eu quero encontrar o por que?”
Realmente, não me interessa o porquê. Me interessa saber que nossos momentos são únicos, que nossas gargalhadas são odiadas por qualquer um em locais públicos, que nossos abraços são sinceros e as vezes sem motivo nenhum, são somente abraços, que nossas situações hilárias não fazem sentido para ninguém, só para nós mesmas e que nós duas odiamos saber que perdemos tanto tempo de amizade em um hiato idiota antes de perceber o que tínhamos.
Me interessa saber que mesmo com todos os nossos “Vai tomar no seu c…” e com todos os berros de insultos carinhosos, a mais pura verdade está no “te amo” das mensagens, no “te amo” quando uma tem um motivo para chorar e claro, no “te amo” mais interesseiro que existe na hora das caronas e dos trabalhos de madrugada. Me interessa saber que nesse momento, a tua amizade não ficou mais ou menos importante… Ela demonstrou ser essencial.
Amo você, sua idiota. Muito!
