Capítulo final

Por Nathália DePaulla.
*Para Carla Fiori e Paula Ubinha.

E de repente tudo muda. O chão some do lugar de costume, o ar nem dá as caras pelos pulmões e o peito parece pisoteado, doído e meio morto. Nem sempre o ‘’tal do essencial’’ constrói o ‘todo’ sozinho, alguns pequenos detalhes que você nem imaginava serem importantes detonam toda uma história linda e cheia de vida, que agora jaz numa caixinha lá na prateleira do passado.

Ninguém pode ao menos te salvar. Entender o que se passa dentro de você muito menos e não adianta dizer que vai passar porque no fundo sabemos que as coisas não passam, elas se tornam menos matadoras, mas passar… Nunca. É por isso que todo mundo tem marcas.

Mas aí o telefone toca como se fosse uma sirene de segurança no segundo seguinte em que seu mundo saiu de órbita, como aquilo que impede o último bip do seu monitor de freqüências cardíacas naquele momento crítico. Impressionante a sincronia. Você não precisa falar uma frase completa para transmitir a gravidade do problema, quem te conhece, quem já sentiu o que você sentiu reconhece nas suas mais lacrimosas palavras o que se passa e pode imaginar o que você sente. Mas tem a distância, o tempo ruim, o compromisso inadiável e por cinco minutos você pensa que as paredes do apartamento brancas, já escurecidas pelo fim de tarde vão te engolir no seu pior momento, e o pior de tudo, sozinha.

Até que ao olhar da janela, tem algo lá embaixo te esperando. Nem de longe era o meu príncipe encantado em um cavalo branco, mas por sorte é uma outra guerreira em um cavalo negro que espera para recolher o que restou de você em um abraço. De novo você não precisa dizer nada. Uma promessa de cuidado, o carinho que vem junto do abraço e a certeza de que tudo vai ficar bem faz com que você não afogue nas lágrimas teimosas e consiga esperar outros cinco minutos até estar no quentinho do sofá.

Entender você ainda não vai entender. Acreditar que aquilo aconteceu e estragou o seu sonho quase-perfeito também não. Então você acorda no dia seguinte com a claridade difusa do sol, sem lembrar muito o que houve e porque está ali. Não, não foi só um sonho ruim… Não tem nada na sua caixa de mensagens e o ‘’tchau’’ foi realmente dito daquela maneira. Se você não fechar os olhos e controlar o reviver da noite anterior tudo volta na mesma intensidade e você enlouquece, arranca do peito o coração e joga longe.

‘’- Tem que haver um lado bom, tem que existir algo que amenize essa dor.’’

E você acalma na medida que entende que poderia ser pior. Poderia não ter o toque no celular com preocupação, alguém te esperando lá embaixo e nem um carinho que faz a diferença nos dias seguintes. Poderia não ter outros telefonemas preocupados e nem o esforço de quem te recebe para animar cada segundo seu e te fazer sorrir mesmo com os gritos por dentro. Poderia ser um capítulo inteiramente sozinha. Poderia não ter o colo daquelas que você precisa…

Poderia não ter o sofá.

Obrigada.

2 respostas para Capítulo final

  1. Carla disse:

    Desapegue-se, para poder ser. Entregue, que o universo cuida e cura. Beijos, Carla

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