Entre MPB e outros estilos - (Em formato de Crônica)

Maio 6, 2008

Por Nathália DePaulla

Acordei com a idéia de que a MPB é um estilo universal. Há quem goste de Pop, de Rock, de Jazz, whatever! Mas sempre tem aquele momento em que a situação pede aquela famosa MPB.

Em pesquisa, 49% da população alega ser fã de MPB. Marisa, Ana , Adriana e etc, todas aquelas que mais falam de amor são as mais lembradas sempre, mas mesmo assim o gênero ainda não faz a cabeça de muita gente. Encontro pessoas que se vestem de preto, usam lápis de olho e coturno, sempre surtindo um bom rock. “Mas e a música da sua vida?”, pergunto. “Quem de nós dois da Ana Carolina.” Claro que fiquei assustada! Se MPB não está na lista de preferências, como Ana Carolina pode estar? Eu sei que toda a regra tem a sua exceção, mas considerando que se o seu mundo é dentro do Blues, como o Samba poderia ser o estilo que marca a sua vida? Pensei por horas, tentei entender…

Depois indaguei outra pessoa, um relax amante do Reggae convicto, com dreads no cabelo e na prateleira só Bob Marley. “Tem alguma música que seja especial?”, “Aham, tem… ‘Bem que se quis’. Grande Marisa!” Já estava ficando irritada… E o estilo que constava no perfil do Orkut? Não contava mais? Percebi que nos momentos românticos, nos momentos felizes, o Rock sumia, o Pop sumia e o Reggae nem existia. Tudo girava em torno da MPB.

Fiquei a pensar nos meus melhores momentos; Ana, Marisa e Maria Rita. Humm… Então eu também tinha a MPB meus momentos especiais, não que eu não ouça MPB 24 horas por dia, mas nos meus melhores momentos, elas estavam comigo, e não o meu famoso Pop Rock e Pop Francês.

Comecei então a visitar perfis na internet e constatei o que já imaginava. Realmente, eu nunca via a sigla de três letras em 90% do gosto musical de centenas de pessoas, mas na parte de “Música especial”, a escolhida era geralmente uma Música popular Brasileira. Não sei se há uma resistência na hora de preencher o perfil, ou se talvez o gênero tenha caído no esquecimento de alguns, mas pelo jeito de MPB e louco, todo mundo tem um pouco. ©


De mais a mais - Por Nathália DePaulla.

Maio 6, 2008

Entre MPB e outros estilos

 

Acordei com a idéia de que MPB é um estilo universal. Há quem goste de Pop, de Rock, de Jazz, whatever! Mas percebi que sempre tem aquele momento em que a situação pede aquela MPB. Em pesquisa feita pelo site www.mpbehoqueha.com.br, 49% da população alega ser fã de MPB. Marisa, Ana, Adriana, etc, são as mais lembradas sempre, mas mesmo assim o gênero não faz a cabeça de muita gente. Encontro pessoas que se vestem de preto, usam lápis de olho e coturno, sempre curtindo um bom Rock, e mesmo assim em uma hora ou outra, Caetano aparece na vida deles.

Os shows de MPB são os menos lotados, os menos comentados e mesmo assim são as músicas que mais aparecem nas entrevistas. Há dois dias, uma matéria no canal pago GNT contou a trajetória de diferentes personalidades que mesmo com estilos e idéias completamente diferentes aderem a MPB nos momentos mais sentimentais. Sempre tem aquela ocasião em que nenhuma outra música se encaixa a não ser a MPB.

Eu percebo que há uma resistência em dizer a sigla de três letras quando perguntamos o gênero musical predileto. Entre tantos, muitos dizem preferir o Rock, mas no fundo acho que Gal Costa vive com eles naquele momento silencioso. Essa semana fui ao Jazz Café localizado em Vitória e percebi que o momento emocionante foi quando tocou MPB, mas por incrível que pareça todos eram do Moto clube e usavam camisas de bandas de Rock… Confuso? Também achei.

Tenho certeza de que entre os 49% que responderam a pesquisa, esses mesmos roqueiros não estavam na lista dos amantes de Música Popular Brasileira e muito menos das românticas que tocavam no local. As vezes, penso que essas são as mesmas pessoas que votam no Lula e logo depois reclamam do atual governo apontando todos os erros e ainda criticam aquelas pessoas que o elegeram, esquecendo de que estão inclusos.

O que mais me assusta é o fato das pessoas não confessarem o verdadeiro amor pela MPB. No site “MPB é o que há” (nomezinho sugestivo…) você encontra diversas personalidades, e isso te assusta de início. Não que um amante de MPB tenha que tatuar “Marisa monte” na testa, mas… Complica se ele usa coturno e sobretudo com olhos pintados de preto com camisas de banda góticas.

Eu não sei muito bem a minha opinião quanto a isso, mesmo esse sendo um texto altamente opinativo, o que eu sei é que depois dessas e outras, melhor ir ouvir Ana Carolina e pensar nas letras tocantes do que tentar entender esse povo, porque de MPB e louco, todo mundo tem um pouco.

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Coluna de mais a mais - Por Nathália DePaulla

Maio 2, 2008

 Desistência

A escola de Ballet Cridança situada em Vitória, após divulgar planos e projetos para o Festival Internacional de Danças de Joinville, que acontece em julho deste ano, confirma a desistência da participação, mas não diz o motivo. Dizem as más línguas que os vários patrocínios rasgaram contratos, já que a escola não recebeu nenhuma premiação nos últimos meses. Será?

 

Contratação Imediata

A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, após formar sua primeira turma no final de 2007, divulgou a lista de bailarinos contratados. Entre eles, em primeiro lugar está a bailarina Stephanine Ricciardi, aprovada pela escola em 2004. Stephanine foi preparada pela Escola de Dança Monica Tenore (Vitória, ES) e se formou junto com os outros 40 alunos. Em comemoração, o Bolshoi apresentou o Ballet de repertório “Dom Quixote”, em que a bailarina contratada interpreta Kitri, solista da obra.

 

Cadê a solução?

Foi divulgada no site de notícias do MSN.com a nota de que a polícia confirmou a participação dos pais da criança Isabella Nardoni no crime que aconteceu no último dia 29.  Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá não confessaram o crime, mas a perícia confirma a participação dos dois. A mãe biológica de Isabella, Ana Carolina Oliveira, alega que havia um ciúme doentio por parte da companheira do pai da menina e que a convivência do casal não era nem um pouco harmoniosa. A polícia descarta também a participação de uma terceira pessoa no crime, já que não há indícios de arrombamento e não há a possibilidade da invasão de um estranho no prédio, que possui um sistema de segurança adequado. Agora, nos resta esperar que a justiça seja feita e os culpados paguem por seus crimes.

 

 ”Xeque do petróleo”

É assim que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi chamado por um jornal Argentino, agora que descobriram um megacampo de petróleo na Bacia de Santos. O apelido deve-se ao fato de que o campo conseguiu bater o recorde de barris de petróleo encontrado no megacampo de Tupi, o maior até agora. Estima-se que na Bacia de Santos poderão ser retirados 33 bilhões de barris, contra 8 bilhões de Tupi. Até agora a Petrobrás não desmentiu o possível descobrimento, colocando “panos quentes” na situação. Resta saber se a economia do país terá um “happy ending” ou se isso contribuirá somente para a popularidade do senhor presidente.

 

Triângulo Amoroso

De acordo com o site americano “Pop Crunch”, Jennifer Aniston atualmente se preocupa em negar os rumores de seu affair com o tão cobiçado Orlando Bloom, enquanto outra bomba explode envolvendo o nome do ator. Amigos alegam que Orlando esconde a ligação com Aniston da modelo Miranda Kerr, seu atual romance. Orlando e Jennifer foram flagrados no início desse ano em um glamouroso passeio de barco e recentemente em um restaurante, mas ainda continuam no famoso “apenas amigos”.  Mas, segundo uma amiga de Aniston, Bloom contava com sua lábia, para esconder o suposto romance com a estrela de “Friends”, mas não contava com os paparazzis de plantão. E agora, Bloom?

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Presente de Grego (Em formato de carta ao presidente)

Abril 21, 2008

Excelentíssimo senhor Presidente,

Resolvi escrever-lhe para compartilhar com vossa senhoria as três coisas que podem me irritar profundamente em uma semana de aniversário: pessoas me tirando do sério, minhas alunas errando toda a coreografia e a sua popularidade aumentando. Sim, você não leu errado, eu confessei que a cada ponto de seu crescimento um fio de cabelo branco nasce na minha pessoa, tamanha indignação!  Pergunto-me como conseguem gostar tanto do senhor mesmo com tudo aquilo que vemos nos jornais.

                                                                                                                                                                                              

Saiba que tudo corria muito bem até o senhor invadir a minha manhã. Era sexta feira, meu aniversário e eu tinha acabado de receber a minha tão maravilhosa nota de redação jornalística, quando ansiosa, escutei atentamente as instruções para minha nova produção: Uma crônica!

 

Creio (e espero) que o senhor saiba do que se trata uma crônica. Pois é, depois da palestra que tivemos, fui encorajada a escrever uma e estava muito feliz até saber a sugestão do tema. Ouvi aquela pergunta que me gera um ar de espanto e me revira ao estômago: “O que acham de produzir uma crônica baseada no crescimento da popularidade do presidente em ‘não sei quantos por cento’?” Pausa. Nesse momento eu tive a vontade de gritar. Como o senhor pode ser tão popular diante das gafes que comete?

 

Prestei muita atenção quando ouvi minha professora dizer que teve essa idéia ao corrigir provas às duas da manhã. Talvez como presidente o senhor sabe (Ou deveria saber) que governar um grupo grande é muita responsabilidade, e talvez o sono a tivesse afetado e ela teria feito alguma confusão. Respirei fundo no meio de toda aquela agitação esperando uma correção, mas infelizmente ela confirma que o senhor é realmente muito popular.                   

 

Depois disso, uma série de idéias e perguntas começaram a passear pela minha mente um tanto quanto insana e revoltada contra o senhor. Por Deus, quantas comparações! Não me envergonho de dizer que se colocasse nessa pequena carta tudo aquilo que me vem a cabeça quando penso sobre o seu modo de governar, ganharia um processo, mas é a mais pura verdade.

 

Tudo bem que o senhor tem um poder de persuasão enorme e merece um crédito por pular a faculdade e ir direto à presidência enquanto eu acordo às sete todos os dias para estudar como louca sabendo que nem por isso eu vou chegar no senado, mas será que mesmo assim esses números não deveriam baixar!?

 

Poderia compará-lo agora com umas 1.500 pessoas para explicar porque digo isso, mas ok, farei comigo mesmo. Quem não se lembra da crise aérea caótica no ano passado!? Pois é, fiquei sabendo que mesmo com acidentes fatais e transtornos na vida de milhares de pessoas, sua popularidade manteve-se intacta. Enquanto você desfruta de cartões corporativos, eu faço triplas piruetas na ponta dos pés desafiando a física e não sou popular… Eu sei que o senhor deve ter rido agora, mas não se engane, mesmo brincando minhas comparações continuam sendo sérias.

 

Enquanto notas de dinheiro “voam em malas e cuecas” como dito por Elisa Lucinda no texto “Só de sacanagem” e o senhor diz não saber de nada, eu continuo indo dormir as 4h45m da madrugada fazendo um maravilhoso dicionário visual para a disciplina de Projeto Gráfico e ainda assim não sou popular! Não são os estudantes o futuro do país? Cadê o meu crédito?

 

Pode parecer egoísmo, mas não é! Oras, com tantos brasileiros que fazem a diferença no anonimato, por que só o senhor é o único que mesmo nos decepcionando tanto “enfeita” nossas páginas de jornais? Claro que peço desculpas aos que o apóiam, mas eu me sinto no direito de lhe explicar o porquê da minha inocente implicância contigo.

 

Não sei se o senhor sabe, mas em um bairro simples de Vitória (aquela mesma cidade que o senhor visitou há semanas atrás) vive uma senhora que adotou 25 crianças e deu casa, comida e educação a todas elas. Uma guerreira, não é!?  Só que, com exceção de seus vizinhos, ninguém a conhece. Será que uma pessoa que faz questão de sair do país para dizer com todas as letras que por aqui uma das melhores coisas é a cachaça brasileira tem mesmo que ser mais popular do que essa senhora? By the way, morri de vergonha quando o vi dizendo isso em pleno discurso. Que coisa mais feia, presidente!

 

Como uma boa cidadã, eu não uso dinheiro público para construir palanques país afora e ser populista, pelo contrário. A cada vez que piso em um palco, parte do meu dinheiro está ali também, já que o seu governo não dá apoio nenhum às artes. Será que o senhor deveria MESMO ser popular se arte nada mais é do que cultura e cultura está diretamente relacionada à ensino, e ensino completo e de qualidade era o que o seu governo deveria dar para nossas crianças? Fome Zero já foi feito, mas ainda temos o “Cultura Zero”. Até quando?

 

Eu tento até hoje bater o recorde de fouettés feitos no século passado por uma bailarina famosa e ninguém reconhece, mas fiquei sabendo (com muito desgosto, claro), que mesmo com todos os “bafões” da presidência, a popularidade do senhor bate recorde. Injusto!

 

Tantos brasileiros mereciam reconhecimento por coisas brilhantes que fazem e mesmo assim continuam em suas casas vendo as gafes do homem mais popular da atualidade após o “boa noite” da Fátima Bernardes e do Willian Bonner sem reclamar (incluindo quem vos escreve). Eu me pergunto aonde foi parar o bom-senso do nosso povo e o seu próprio bom-senso, que aceita as felicitações e consegue dormir tranqüilo mesmo sabendo que não faz por onde receber tantos elogios.

 

Confesso que fiquei imensamente feliz ao saber que a região Sudeste não se rendeu ao populismo e se manteve fora de toda essa pantomima, não tendo aumento no índice de popularidade (Ponto para mim!), talvez nosso senso crítico esteja mais aguçado e nossos olhos mais abertos para uma realidade que nos corrói a cada dia, aquela realidade que infelizmente o senhor nos obriga a viver.

Claro que o tempo todo brinquei com o senhor na carta ao comparar o meu cotidiano com o seu, mas no fundo a coisa é mais séria do que se pode imaginar. Será mesmo que o nosso país precisa de alguém no comando que só saiba viajar ou provar destilados? Será que a falta de alimento, transporte e saúde para alguns poucos (ou nem um pouco) afortunados vai ser resolvida com frases nem um pouco engraçadas nos discursos que acabam virando piada no Youtube? Aliás, considero sua popularidade muito relativa, porque posso me referir ao senhor todos os dias, mas com certeza não é de forma saudosa.

 

Não sei se deveria estar dizendo isso, mas enquanto o senhor brinca de chefe de tribo, eu prefiro comemorar meu aniversário (Por pouco não arruinado), estudar para as provas e me formar com boas notas na faculdade para encarar o mercado de trabalho como tantos outros, afinal, eu não recebo o mensalão…  Mas qualquer coisa, o endereço está no verso do envelope, logo a frente da palavra “remetente” grafada pelos correios, e da palavrinha “indignada”, escrita a caneta logo antes desta.

 

Au Revoir, senhor presidente.

Até o próximo desabafo,

Nathália DePaulla. ©


Presente de Grego

Abril 21, 2008

Por Nathália De Paulla

Bem, existem três coisas que podem me irritar profundamente em uma semana de aniversário: Pessoas me tirando do sério, minhas alunas errando toda a coreografia e a popularidade do Lula crescendo. Ok, como não quero dar nomes aos bois, vamos falar sobre o que já está nomeado no meu texto. Sim, você não leu errado, eu fiz um insulto discreto ao presidente e mantenho no rosto aquele sorriso insuportável de uma pessoa que odiou saber que mesmo com tudo aquilo que vemos nos jornais, ele ainda consegue ser popular.

Tudo corria muito bem; Era sexta feira, meu aniversário e eu tinha acabado de receber a minha tão maravilhosa nota de redação jornalística, quando ansiosa, escuto atentamente as instruções para minha nova produção: Uma crônica!

Depois da pequena palestra sobre crônicas com um cronista de A Gazeta, eu passei a me interessar muito por esse gênero. Comecei a ler algumas, desgostar de outras e claro, fiquei louca para escrever. Como sugestão do tema, ouço aquela pergunta que me gera um ar de espanto e me revira ao estômago: “O que acham de produzir uma crônica baseada no crescimento da popularidade do Lula em ‘não sei quantos por cento’?” Pausa. Entrelacei os dedos e os coloquei sobre a bancada do laboratório enquanto ouvia a minha professora dizer que teve essa idéia ao corrigir provas às duas da manhã. Tudo bem, talvez o sono a tivesse afetado e ela teria feito alguma confusão. Pausa outra vez. Ela confirma que a popularidade do indivíduo havia crescido de fato e que foi publicada em algum lugar que não me lembro agora.

Eu anotei o tema e uma série de idéias e perguntas começaram a passear pela minha mente um tanto quanto insana e revoltada contra o presidente. Por Deus, quantas comparações! Quantas piadinhas infames que me renderiam um processo caso ele viesse a ler minha crônica! Fui pra casa e comecei a pesquisar sobre ele, e percebi que minha raiva ia aumentando a cada título que lia com um número maior relacionado à sua popularidade.

Tudo bem que ele tem um poder de persuasão enorme e merece um “crédito” por ser o primeiro a pular a faculdade e ir direto a presidência enquanto eu acordo às sete todos os dias para estudar como louca sabendo que nem por isso eu vou chegar no senado, mas será que mesmo assim esses números não deveria baixar!?

Poderia compará-lo agora com umas 1.500 pessoas, mas ok, farei comigo mesmo. Quem não se lembra da crise aérea caótica no ano passado!? Pois é, fiquei sabendo que mesmo com acidentes fatais e transtornos na vida de milhares de brasileiros, a popularidade dele não caiu. Por Deus, o que esse homem tem??? Enquanto Lula desfruta de cartões corporativos, eu faço triplas piruetas na ponta dos pés desafiando a física e não sou popular… Eu sei que você que está lendo deve ter rido agora, mas eu não tenho razão?

Enquanto notas de dinheiro “voam em malas e cuecas” como dito por Elisa Lucinda no texto “Só de sacanagem” e o Lula diz não saber de nada, eu continuo indo dormir as 4:45h da madrugada fazendo um maravilhoso dicionário visual para a disciplina de Projeto Gráfico e ainda assim não sou popular!

Pode parecer egoísmo, mas não é! Oras, com tantos brasileiros que fazem a diferença no anonimato, por que dar crédito ao único brasileiro que anda nos decepcionando tanto seria correto? Claro que peço desculpas aos petistas de carteirinha, mas como esse espaço é meu (Sim, é meu!) eu me sinto no direito de dividir minha indignação com alguns de vocês.

Ontem eu conheci uma senhora que adotou 25 crianças e deu casa, comida e educação a todas elas. Uma guerreira, não é!?  Ela vive em um bairro simples em Vitória e com exceção de seus vizinhos, ninguém a conhece. Será que uma pessoa que faz questão de sair do país para dizer com todas as letras que no Brasil uma das melhores coisas é a cachaça brasileira tem mesmo que ser mais popular do que essa senhora?

Eu não uso dinheiro público para construir palanques país afora e ser populista, como se referiu José Carlos Aleluia (Presidente do DEM) ao Lula há alguns dias atrás… Pelo contrário. A cada vez que piso em um palco, parte do meu dinheiro está ali também, já que o governo do tal Lula não dá apoio nenhum ás artes. Será que ele devia MESMO ser popular?

Eu tento até hoje bater o recorde de fouettés feitos no século passado por uma bailarina famosa e ninguém reconhece, mas fiquei sabendo (com muito desgosto, claro), que mesmo com todos os “bafões” da presidência, a popularidade dele bate recorde desde o período Collor. Injusto!

Tantos brasileiros mereciam reconhecimento por coisas brilhantes que fazem e mesmo assim continuam em suas casas vendo as gafes do homem mais popular da atualidade após o “boa noite” da Fátima Bernardes e do Willian Bonner sem reclamar. Eu me pergunto aonde foi parar o bom-senso do nosso povo.

Confesso que fiquei imensamente feliz ao saber que a região Sudeste não se rendeu ao populismo e se manteve fora de toda essa pantomima, não tendo aumento no índice de popularidade (Ponto para mim!), talvez nosso senso crítico esteja mais aguçado e nossos olhos mais abertos para uma realidade que nos corrói a cada dia.

Claro que o tempo todo brinquei com vocês no texto ao comparar o meu cotidiano com o do Lula, nosso “querido” governante, mas no fundo a coisa é mais séria do que se pode imaginar. Será mesmo que o nosso país precisa de alguém no comando que só saiba viajar ou provar destilados? Será que a falta de alimento, transporte e saúde para alguns poucos (ou nem um pouco) afortunados vai ser resolvida com frases nem um pouco engraçadas nos discursos que acabam virando piada no Youtube?

Não sei, mas enquanto isso eu prefiro comemorar meu aniversário (Por pouco não arruinado devido ao presidente) e estudar para as provas e me formar com boas notas na faculdade e encarar o mercado de trabalho como tantos outros, afinal, eu não recebo o mensalão… ©

 


O melhor amigo do homem… Ou vice versa

Abril 21, 2008

Por Nathália DePaulla

Eu sempre preferi amigos cachorros, ou melhor, cachorros amigos. Com certeza acho mais interessante ter por perto um quadrúpede assumido, do que um amigo que se comporte como um quadrúpede.

Mas a minha história é um pouco diferente. Sei que é ótimo viver aquele lema milenar de que o cachorro é o melhor amigo do homem, mas o que fazer quando eles acham que no contexto o amigo é você!? Há dois anos Nina chegou à minha casa. Eu estava no banho e alguém meio que invade o banheiro com sorriso empolgado e algo no colo. Linda, pequena e com bem menos pêlo, era quietinha e ainda não tinha forças para subir no sofá ou pular na minha cama e deitar no meu travesseiro… Ainda!

Entretanto, eu percebo a cada dia que ela leva muito a sério o fato de ser considerada integrante da família, vejo que com o passar do tempo eu me torno a mascote dela! E mais do que picar meus papéis importantes e se irritar quando ligo o som, a parte mais tocante (para não dizer irritante) é o pavor que Nina tem por livros… Todos eles!

Era uma tarde de quinta-feira. Eu ouvia Lorie e conversava com alguns amigos pela internet quando Nina pula no meu colo. Imaginem digitar com uma Yorkshire de 51 centímetros no colo… Ok, eu relevo.  Decidi que queria ler, e então peguei um livro da minha série predileta, com a Sarah Jessica Parker na capa. Coloquei Nina em um canto da cama e me deitei de bruços, a fim de ler um pouco.

Foi aí que a confusão teve início! Nina sem pensar duas vezes, colocou suas patas dianteiras entre meus cotovelos apoiados na cama e pulou para o meio, ficando entre o livro e eu. Olhei com aquela expressão de reprovação que diz “Se enxerga, Nina!”, esperando que fosse funcionar, mas não funcionou. A vi apoiar o focinho nas patinhas e deitar… Em cima do livro!

Vamos abrir um parêntese: considerando que ela tem dois anos, em anos caninos ela teria 14. Uma adolescente. Lembro-me de que era considerada endiabrada quando tinha essa idade e pintei o cabelo de rosa pink, então, sendo minha Yorkshire uma adolescente (Será que vocês se sentiram estranhos ao ler isso do mesmo jeito que eu me senti escrevendo?), ela estava querendo atenção.

Brinquei um pouquinho com ela, fiz carinhos e aquelas bagunças típicas de donos de cães; finalmente quando ela estava com meio metro de língua pra fora fiz o meu momento! Esperei ela deitar e peguei de volta o livro me colocando na mesma posição. Eis que surge em cima da cama, Nina. Ignorei o fato e estaria tudo bem se ela não tivesse colocado suas patas dianteiras entre meus cotovelos apoiados na cama e pulado para o meio, ficando entre o livro e eu… De novo!

O resto vocês já sabem, focinho nas patinhas e cabeça em cima do livro. “Hah… é brincadeira!” Falei sem acreditar quando vi a cabeça daquela bola de pêlos bloqueando as letras em negrito do livro. Arrastei-me na cama e empurrei cuidadosamente o livro alguns centímetros acima, a fim de tentar ler (somente tentar) e não incomodar o belo cochilo dela. Não cheguei nem ao meio do primeiro parágrafo e lá estava ela. Linda e bela… Em cima do livro! Em um movimento seco, Nina se arrastava e se colocava de novo no meio da minha leitura.

“What the hell, Nina!?!?” Agora que já falava pensando no fato de que ninguém iria acreditar quando eu contasse (Como você deve estar fazendo agora, caro leitor), e me levantei indignada. Sentei na cama, recostada em um travesseiro e coloquei o livro sobre os joelhos dobrados, deixando Nina onde estava.

Sorri, pois agora eu iria ler… Ou não. Nina se levanta. Arregalo os olhos pensando que seria impossível ela tentar fazer algo de novo. Parece que a cena acontece em câmera lenta de tão incrível. E não é que ela pula no meu colo e se mete justamente aonde me atrapalharia? Fecho o livro com raiva e ligo a TV (nada melhor do que um controle remoto, a menos que esteja passando a programação de domingo!). Nina delicadamente desce da cama, se espreguiça esticando todos os músculos do seu fofinho corpo, sacode-se e sai do quarto, abanando o rabo e indo brincar sozinha com sua bolinha cor de rosa.  

“Hã???”

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28 de Março de 2008

Abril 21, 2008

Por Nathália DePaulla.

Era uma manhã de sexta feira normal, como qualquer outra, com exceção de que nessa, eu ficava 365 dias mais velha. O sol já invadia a janela sem pedir licença e eu relutava em olhar o celular para ter a certeza de que em alguns bons minutos, ele iria tocar desesperadamente indicando que eu teria que me levantar.

Ouço um barulho na porta: “Ok, é a minha mãe”, pensei sem abrir os olhos… Por pouco não acerto! Como de costume, minha irmã mais velha seria a primeira a me parabenizar. Abraços, beijos e um presente significativo depois e eu voltava a dormir. Adormeci rapidamente, pois estava exausta da noite anterior em que saltos e mais saltos foram exigidos de mim.

Dormia tranquilamente entre meus dois travesseiros e meu edredom do ursinho Pooh quando a porta se abre novamente… Pelo barulho do caminhar, eu já sabia quem era. Era ele. Puro e delicado como só ele… Sorri novamente com olhos fechados e sussurrei “Já sabia quem era…”, abrindo os olhos e o encarando.

Com um sorriso angelical ele olha para a flor de cor rosada que tinha nas mãos, talvez em dúvida se devia me entregar ou não. Naquele momento meu mundo pára. Tudo se resume àquela cena que passa em câmera lenta. A roupa toda azul com um perfume gostoso e único, o sorriso que transmite paz, o par de olhos incrivelmente azuis que me olham e a pele clara reluzindo os primeiros raios do sol.

Eu fiquei imaginando como pode haver tal beleza… Inexplicável o que senti naquele momento. Um filme de tudo que já passei ao lado dele passou por minha cabeça, era meu primeiro aniversário com ele na minha vida, e eu sentia que não precisava mais de nenhum, somente daquele.

Emocionada, pego a flor e peço um beijo, que vem acompanhado de um abraço um pouco atrapalhado e risonho, e brincadeiras típicas entre nós dois. Aperto-o nos braços como de costume, dizendo talvez um dos apelidos carinhosos que eu coloquei nele. Eu estava realmente feliz! Havia chorado algumas lágrimas na virada da madrugada quando recebi à meia noite e um, o telefonema da melhor amiga. Talvez eu não seja a única a chorar quando o desespero de ficar um ano mais velha bate a porta, mas com certeza naquele dia, eu era a única.

Por segundos eu vejo toda aquela tristeza ir embora junto com o inferno astral que me rondava dias antes. Eu me sentia em casa, entre pessoas amadas… E entre ele. Há seis meses e meio ele é um dos motivos da minha alegria. Ele ri comigo, chora comigo, faz escândalos comigo e muitas vezes me deixa observá-lo dormir naquele leve balançar sincronizado que é sua respiração. Não sei porque, mas perco o sono quando ele dorme…

Eu queria poder olhá-lo por 24 horas, mas infelizmente não posso. Aquele ali era o meu primeiro momento do dia, e eu já estava feliz como se ele pudesse acabar. Sim, eu achava que depois daquela cena inesquecível, eu não precisava de mais nada… O melhor carinho do mundo, já havia sido meu maior presente.

Assim, momentos depois eu volto à realidade. Eu tinha que ir para a faculdade. Amigas mais do que especiais me esperavam para fazer uma pequena bagunça comigo e eu com elas, e esse com certeza foi outro momento que eu guardei comigo. Então, saímos do quarto e eu pude perceber que o dia começava bem, e que mesmo depois de 365 dias mais velha, eu me sentia mais viva do que nunca.

Ah, e quem é ele? Pedro, meu sobrinho lindo, que há seis meses alegra minha vida e quase desintegra meu miocárdio ao entrar no meu quarto no colo da minha irmã segurando uma flor proporcional ao seu tamanho e me cobre de beijos babados e abraços de bebê, mesmo não entendendo o motivo daquilo tudo. Meu momento mais importante, o mais significante e com certeza… O mais feliz. Te amo, meu príncipe dos olhos azuis. ©


Uma vida em mil e duas utilidades

Março 29, 2008

 

A trajetória de uma vencedora

Por Nathália De Paulla

 

Ela chega sorridente ao local combinado. Eu que já havia chegado há alguns minutos, olho no relógio e não posso deixar de mostrar um sorriso ao ver que ela chegara pontualmente. Seu “Olá, tudo bom?” veio acompanhado de dois beijinhos e um sorriso verdadeiro, daqueles que você não vê com muita freqüência. E então para quebrar o gelo ela pergunta: “E o trabalho, está fluindo!?”. Respondo calmamente e, ao ouvir “Ele acabou de começar” como resposta, ela gargalha, e é assim que damos início a nossa conversa. Giulia Bard Brittes, fala como é ser bailarina, fisioterapeuta, voluntária e mãe, e ainda ter tempo para almoços de entrevista.

 

Ao olhar para Giulia você não faz idéia do que ela vem a ser. Corpo esguio, estatura média e cabelos pretos caídos pelo rosto delicadamente combinando com os olhos amendoados. Ela senta com uma postura de bailarina como se tivesse acabado de sair de uma aula de etiqueta, ajeita os cabelos e me encara, como se estivesse esperando por um tsunami de perguntas.

“E então, Giulia… Fale-me um pouco de você, da sua infância…”. Percebo que ela desvia o olhar para um ponto vago na mesa, com ar pensativo. Em poucas palavras conta que era uma criança quieta, tímida. Odiava sair, conversar ou até mesmo fazer programas em família, sempre preferiu ficar em casa vendo TV ou no seu mundo imaginário, pensando em como arrumaria o cabelo de suas bonecas ou trocaria suas roupas.

 

De fato, essa descrição combina bem com a Giulia que falava comigo naquele momento. Percebe-se que ela tem um ar tímido, reservado, que talvez passe uma sensação de calmaria e leveza ao conversar com ela. Quem a vê não imagina que aos oito anos Giulia entraria no Ballet por insistência de sua mãe, e se apaixonaria tanto pela arte. Paixão essa que pode ser vista em sua pequena tatuagem no pescoço, com o desenho de duas sapatilhas coloridas em tons de rosa. Ela conta que foi uma experiência engraçada entrar em contato com a arte naquela idade. Até então, tudo se resumia apenas em bonecas e conversas com ela mesma.

 

“Ah, foi surreal! Eu era magrela e tímida e as meninas eram todas comunicativas com o nariz em pé. Eu demorei um bom tempo para me acostumar ficar parte do meu dia no meio delas.” Talvez tenha sido sorte para ela aprender a conviver com mais gente ao redor, pois foi nessa época que ela teve um grande choque ao perder a avó vítima de câncer, que era uma grande amiga e aliada com quem dividia doces antes do almoço escondido da mãe e brincadeiras antigas; “Eu me lembro que sentei de frente pra janela e fiquei alí, quietinha, só lembrando dela e tentando entender o que estava acontecendo. Era uma dor enorme, às vezes. ficava complicado demais respirar sabendo que ela são estava mais ali.” Parecia que o mundo ia diminuindo e eu parada, esperando acabar.”

 

Silêncio total. Nem eu nem Giulia dissemos nada por segundos, eu percebi que estava tão comovida quanto ela, mas mesmo com olhos marejados, ela conta que foi assim que as amigas do Ballet agora viriam substituir as tardes de sábado que tinha na casa da avó e contribuir com o vício por chocolate, mesmo que fosse escondido da mãe e da professora. E que a saudade enorme que sentia com o tempo não doía mais, ela a transformava em algo melhor, com felicidade por ter tido a melhor avó do mundo.

 

Com o passar do tempo as coisas se acalmam. Giulia permanece na dança e na escola paralelamente, se tornando solista aos 16 anos depois de muito esforço e dedicação. “Acho que me jogar por inteiro na dança foi uma fuga, uma forma de não perceber que eu tinha problemas ainda por ter perdido alguém importante. E eu realmente gostava de estar fazendo aquilo.”

Entre lembranças que agora ela contava para mim, um misto de felicidade e empolgação toma conta dela ao citar seu primeiro solo, “Era como se eu estivesse lá e ao mesmo tempo estivesse em uma sala de aula qualquer… Eu me sentia bem e calma, dancei sozinha e foi ótimo ter o palco só pra mim, mas eu não podia nunca deixar isso me subir a cabeça. Aprendi cedo a ter os pés no chão, poderia ser meu primeiro e último solo, eu não tinha como saber!” Foi nesse dia que ela estreou como “Swanilda” no espetáculo “Coppélia” criado por Delibes.

 

Ela conta que foram anos mágicos e inesquecíveis, afinal ela estava vivendo o sonho de milhares de jovens e não pretendia abandoná-los nunca. Nem mesmo o fato de deixar de sair com as primas nos finais de semana ou a falta de tempo para qualquer outra coisa a fez desistir, pelo contrário, a cada ensaio pesado, ela queria mais.

 

Daí em diante foram só sucessos. “Mas suas amigas não ficavam com inveja ou coisa do tipo?”, pergunto curiosa, “Não, elas torciam o nariz no começo, mas depois me davam conselhos e dicas, éramos uma família.” Depois de contar inúmeras histórias como na vez em que ficou com soluços no meio do palco, ou quando esqueceu as sapatilhas e chorou desesperadamente, ela se entristece ao falar da época em que teve que reduzir a carga horária por causa da faculdade de Fisioterapia que cursou. Percebo que ela procura as palavras com todo cuidado para dizer que de início fez mais por causa de sua mãe, mas que depois acabou gostando.

 

Giulia, que agora apoiava o queixo nas mãos entrelaçadas, conta que nem sempre tinha ânimo de ir para a faculdade. Matava algumas aulas para ensaiar mais ou ir a apresentações, mas que sempre mantinha boas notas.  E foi nessa época que uma reviravolta aconteceu! Faculdade, Ballet, sua mãe querendo lhe abrir uma clinica e seu pai insistindo para que fizesse intercâmbio. E agora!? A menina bailarina se viu entre a cruz e a espada, não adiantava chorar ou reclamar, ela apenas tinha que fazer uma escolha.

 

Ela sabia que precisava de uma carreira sólida. Gesticula levemente quando entramos nesse assunto, como se estivesse tentando me transportar para dentro da situação que vivera. “Eu não sei explicar como era ter que fazer aquela escolha, ainda mais sem a ajuda de ninguém… Mas eu fiz, e acho que deu certo!” Ela dá um risinho breve, como se ainda estivesse surpresa com o que tinha escolhido. “Mas e então, o que ficou na sua vida!?”, Pergunto enquanto ela nega a sobremesa que o garçom havia oferecido. “Bom, foi o Ballet. Eu sei que pra ser bailarina e viver disso em um país que não valoriza muito a arte é complicado demais, mas imagina a minha frustração se não tentasse!?”

 

Confesso que já sabia da escolha dela, mas não poderia perder a chance de vê-la falando com as próprias palavras da guerra que se formou ao contar isso para pais e amigos. “Você perdeu totalmente o juízo! Pare com isso e foque sua carreira na área de Fisioterapia”, isso foi o que e bailarina ouvira por anos até provar que não ia mudar de idéia, e realmente, não mudou. Mais uma vez, Giulia prova que poderia fazer algo sozinha.

 

Resolvo entrar em terreno perigoso. Por baixo da mesa esfrego as mãos por saber que posso estar enrascada ao ver Giulia estreitar os olhos para responder como se esperasse por aquela pergunta. Nessa época, com “vinte e poucos anos” como ela costuma definir, Giulia pensou que seu sonho iria por água abaixo ao descobrir uma gravidez que não havia planejado e ver o namorado ir para a França quando ela estava no quarto mês. Confessa que não foi nada agradável, e ninguém no mundo entende o que ela passou.

 

“Sim, eu o odiei naquele momento, sabe? É uma coisa que ele não podia nunca ter feito. Eu poderia ter feito uma besteira de tão insana que fiquei!”, conta ela agora com um tom de voz mais firme, como se ainda estivesse com vontade de dizer isso a ele. “E você nunca fez!?”, “Não, eu simplesmente recebi a notícia por telefone e disse “Ok, leve roupa de inverno… E desliguei em seguida. Foi a última vez que falei com ele.”

 

Nesse momento ela ergue as mãos como se estivesse se fazendo a mesma pergunta que eu e dá um ar de desentendida, sem saber explicar o porque daquele comentário pro namorado em um momento tão sensível. Pergunto o que ela fez depois daquilo, e não pude deixar de rir depois de ouvir sua resposta: “Enlouqueci!”, pausa de alguns segundos, “Enlouqueci com todas as letras…”.

 

Ela conta que a faculdade a ajudou muito a superar. Formou-se e estava prestes a virar mãe, e agora sabia que não poderia mais viver somente com o dinheiro da mãe e um emprego seria uma ótima idéia, por isso aceita a oferta de ganhar um consultório do pai, e começa a investir nele, já que teria que se ausentar do ballet por pelo menos um ano, ou mais. Mas não foi isso que ela fez, ia à escola de dança duas vezes por semana, ver como estavam as coisas pois alega que não conseguiria nunca ficar longe daquele mundo.

 

“Eu queria algo para cada hora do meu dia. Eu queria ser fisioterapeuta, queria aprender a ser mãe e queria algo pra me ocupar enquanto eu não estivesse ouvindo CD’s de Ballet e vendo DVD’s das grandes companhias. Foi aí que surgiu a idéia de ser voluntária”, A agora fisioterapeuta mergulha em trabalho e ao mesmo tempo se torna voluntária em escolas, ensinando um pouco de arte e cultura para crianças sem condições financeiras. Conta que era gratificante vê-las mexendo em sua barriga ou até mesmo se interessando pelo Ballet ou qualquer outro tipo de dança, e que aquilo a manteve viva por muito tempo.

 

“Mas você fez algum projeto, ou coisa do tipo?” Perguntei ao ver que esse foi o momento de empolgação depois de contar tudo que passou. “Fiz… no final daquele ano, elas dançaram para os pais em um pequeno recital. Umas choraram no final e aquilo me comoveu demais. E minha filha pulava dentro da barriga não sei por quê!”. Giulia se envolveu tanto que não conseguiu parar depois de um ano em contato com aquelas crianças. Sua filha nasceu perfeitamente bem e com o tempo iria seguir os passos da mãe, já que hoje com 10 anos já faz Ballet e mostra grande paixão pela dança.

 

Fico curiosa para saber como ela dividia seu tempo, e ela conta que na maioria das vezes deixava a clínica de manhã para ficar como voluntária e depois corria pra lá entre um almoço rápido e um lanche, para trocar a Giulia bailarina pela Giulia fisioterapeuta, contando as horas para fazer aulas no final da tarde. “Era um absurdo quando eu atendia alguma bailarina com lesões. Quem dança sabe que isso é a morte para nós. Você deve saber não é?”

 

Agora sim Giulia havia me pegado de surpresa. Arregalo os olhos e abro um sorriso sem graça, ainda confusa. “Como sabe que sou bailarina!?”, Perguntei com a expressão mais deslavada do mundo, rindo. “Eu já te vi dançando! Menina, fiquei encantada com o espetáculo de vocês…”. A mesma expressão que ela fizera no começo agora era minha, eu estava surpresa por ela saber algo de mim, sendo que era a primeira vez que nos víamos e que eu não havia mencionado nada quando falamos pelo telefone. Falamos de dança por mais um tempo, até voltarmos para a entrevista.

 

Já estávamos tomando café e já passava de 13h30min quando ela conta a emoção que sentiu ao voltar aos palcos. Diz que foi quase a realização de um sonho, já que muitas abandonam depois da maternidade. Ela conta que não fechou a clínica em respeito ao pai, mas que houve vontade. Seus trabalhos como voluntária continuaram acontecendo duas vezes por semana, pela manhã, e suas aulas e ensaios à tarde.

 

“Eu era fisioterapeuta três vezes na semana. Coloquei algumas pessoas para trabalharem na clínica e elas ficavam à tarde enquanto eu dançava, a noite eu chegava em casa quase morta e ainda tinha tempo para minha filha que queria me contar como tinha se saído na escolinha e brincar de boneca ou de salão de beleza”, conta ela rindo saudosa e orgulhosa de falar da pequena Larissa.

 

E Giulia não parou por aí, dançava, ajudava crianças e era mãe por todo tempo que podia. Com o tempo foi se acostumando à nova rotina e ajeitando as coisas, como gosta de se definir. Calculava horários, planejava tudo e dava um jeito de fazer as coisas acontecerem, sem deixar de fazer absolutamente nada do que gostava.

 

Light.

Passamos para uma parte mais light da conversa e eu pergunto como é a Giulia fora dos palcos, fora da clínica e longe das crianças que ajuda. Ela diz que é calma, mais calma do que alguém com as responsabilidades dela deveria ser, mas que costuma ver a vida da forma mais fácil possível, não colocando as dificuldades como grandes problemas mas como pequeninos desafios que ela adora resolver. Revela também que é apaixonada por pintura, mas que não tem tempo para se dedicar e por isso se satisfaz apenas comprando.

 

“E se depois dessa caminhada toda você tivesse que olhar pra trás e escolher alguém, quem seria?” Após a pergunta ela fica em silêncio, mas logo sorri e responde firmemente: “Minha avó!”. Mais uma vez os olhos de Giulia brilham, talvez por saudade também, mas com certeza de orgulho primeiro. Ela se refere à avó como uma mulher tão guerreira como essas que vemos em livros e filmes e que gostaria de fazer tudo como ela fez. “Ela estaria orgulhosa de me ver fazendo mais de uma coisa, tenho certeza! E seria a bisavó mais babona do mundo…”, conta rindo, após mostrar uma foto que carrega da avó dentro da carteira. “Ah, minha avó era linda! Morro de saudades…”.

 

Sobre sonhos, pergunto se ela teria algum. Sim, ela tem! “E qual é?”, perguntei querendo saber que a avó estaria incluída neles. “Qual é o seu?”, pergunta ela me olhando firmemente. Talvez os papéis se invertessem naquele momento, onde eu me tornava a entrevistada. Respondi que teria que falar mais de um, pois era muita coisa. “Então acho que você me entende!”, diz Giulia rindo. “Eu não tenho só um sonho, eu tenho vários… Milhares!”. E realmente eram muitos e iam desde montar uma escola de dança com o nome da avó até um ingresso permanente na Organização das Nações Unidas (ONU) para ajudar muito mais gente. “A vida é engraçada, não é? No meu maior momento de desespero, eu encontrei a calmaria ajudando os outros… E olha que eu é que precisava de ajuda!”.

Giulia conta que aprendeu muita coisa com seus erros e que não se arrepende de tê-los cometido. A cada queda, ela aprendia a levantar sozinha e passar isso adiante, tendo uma forma de não guardar nada daquilo com ela. Fala que queria morrer quando teve que contar aos pais que estava grávida e que ver a expressão desapontada dos dois era algo muito difícil, mas que depois ao vê-los sorrindo com a neta no colo, tudo passou.

 

“Sabe aquele filme, Juno!? Pois é, tirando a parte da adoção eu fiquei com aquele mesmo desespero!”. Entre gargalhadas ela diz que teve medo de engordar, de ficar feia e de ser uma mãe chata, mas que tudo isso passou e que hoje ela não se vê sem Larissa.

 

Backstage.

Atualmente, Giulia dança menos e se dedica mais ficando nos bastidores. Ela diz que sabe quando o corpo não agüenta mais tanta pressão e que agora com 30 anos, as coisas começam a mudar. Está mais caseira também e seu trabalho voluntário começa a render frutos, depois de maravilhosos 10 anos e que agora nada mais pode detê-la, pois uma garota que vira mãe sem esperar e segue duas carreiras teria todo o direto de reclamar, mas que ela prefere não faze-lo.

 

Entre muitas outras coisas fala que sente orgulho do que é atualmente, mas sem tirar os pés do chão, encara cada dia como um desafio e uma oportunidade de crescer. Não descarta a possibilidade de entrar na ONU mesmo sabendo que é praticamente impossível e que ainda vai ficar sentada em uma cadeira confortável tomando chá enquanto assiste a filha dançar Ballet, brincar e quem sabe, seguir exatamente seus passos.

 

Ri, brinca, e se diverte dando a entrevista, fazendo tudo ter um ar mais calmo e amigável. Ah, e a postura de bailarina séria do começo da conversa? A essa altura, já não existe mais.

 

Eu me lembro que sentei de frente pra janela e fiquei alí, quietinha, só lembrando dela e tentando entender o que estava acontecendo. Era uma dor enorme, as vezes ficava complicado demais respirar sabendo que ela são estava mais ali.” Parecia que o mundo ia diminuindo e eu parada, esperando acabar.

A vida é engraçada, não é? No meu maior momento de desespero, eu encontrei a calmaria ajudando os outros… E olha que eu é que precisava de ajuda!

E tem mais…

Giulia não é a única a viver algo que de início parece existir somente nos histórias de cinema. Muitas jovens se encontram perdidas quando descobrem uma gravidez na adolescência e vêem os sonhos indo por água a baixo, e a maioria acaba por desistir, afinal nem todas tem a sorte de estar em uma família que lhe dê total apoio e assistência como no caso de Giulia.

Atualmente existem Organizações não governamentais (ONG’s) e projetos par auxiliar jovens a como se prevenir e dar apoio a aquelas que encontram-se nessa situação. Todos os dias voluntários tentam reduzir esse número, mas ainda é algo totalmente utópico, por isso informe-se e seja um voluntário você também, ajudando assim a milhares de jovens que talvez precisem somente de algumas palavras para ter um futuro melhor.

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Uma vida em mil melodias

Março 28, 2008

 

Nem mesmo o calor insuportável da sala tirou do ar a curiosidade e a disposição dos alunos de Jornalismo para a entrevista coletiva com José Roberto Santos Neves, que lançou recentemente seu livro sobre MPB e é um Jornalista Capixaba e referência quando o assunto é crítica musical. José Roberto Santos Neves chega para a coletiva no horário marcado, e assume a mesa central para responder as perguntas. Olhos curiosos para o jornalista, que talvez um pouco nervoso, sente-se a vontade para falar ao saber que o assunto principal seria seu gosto por música.

 

Entre alunos e professores, José Roberto começa contando que nasceu sob influência da música. Com uma paixão assumida pelas cantoras Maysa e Clara Nunes, acha que a memória do país deve ser lembrada através de Biografias,  principalmente quando se tem a chance de ser o primeiro a relatar fatos interessantes e muitas vezes desconhecidos.

 

Esse foi um dos motivos que o fez lançar seu livro contando a história da própria Maysa através de entrevistas e pesquisas, já que não havia registro nenhum sobre a cantora anteriormente. Sobre a diferença de matérias e biografias, a resposta é imediata. “Biografia nada mais é do que uma grande reportagem. Há nela tanta apuração quanto em uma matéria.” Além disso, José Roberto diz que sempre vai faltar algo. Percebi que ele fica desgostoso ao relatar que não conseguiu entrevistar o ex-marido da cantora, que na época residia em Portugal.

 

“Mas por que a música o toca tanto?”, me perguntei e antes mesmo de levantar a mão para perguntar, José Roberto confessa a outro repórter que essa influência de amor à música vem de berço, pois além de Maysa, o cantor ouvia cantores como Dolores Duran, Ary Barroso e muita Bossa Nova. Na adolescência se entregou ao Rock e ao Heavy Metal, e chegou a participar, como baterista, de algumas bandas ao longo do tempo. Diz apreciar Rock dos anos 70, que foi o auge desse estilo, quando Deep Purple e Scorpions eram parte de sua trilha Sonora.

 

Já em relação a MPB, o jornalista conta que também começou na infância, ouvindo Caetano Veloso e Gilberto Gil, mas que o interesse profissional começou na década de 90, quando era repórter de um fanzine.

 

A paixão foi tanta que dois livros sobre MPB já foram lançados por ele. A biografia de Maysa, citada anteriormente, e “MPB de conversa em conversa”, que conta sua própria experiência no meio musical com declarações curiosas de vários nomes importantes da MPB e do Samba, como por exemplo Zé Ramalho afirmando ter visto discos voadores e Tom Zé confessando que até hoje nunca fez uma canção: “apenas tentativas”. Mas será essa publicação algo que surgiu de uma hora para outra? “Pelo contrário”, responde Santos Neves. “Fiz todas as minhas matérias de MBP já pensando no livro.”

 

Questionado sobre a dificuldade de escrever livros, confiante, o jornalista responde que a dificuldade não é escrever livros, mas sim vendê-los. E que no seu livro, nem só a MPB tem destaque. Ele aborda também o Samba, que considera como identidade brasileira. Fala sobre a transição do Samba-canção para a Bossa-Nova, etc. Mas o que ressalta é que o samba nunca morre, e por isso merece admiração.

 

Essa afirmação vem em resposta aos novos estilos que surgem, e mesmo assim o samba continua sendo “expressão máxima da população”, sempre com artistas prontos a revivê-lo, criando clubes de samba e mantendo tradições.

 

O jornalista também abordou temas como a deficiência na música Capixaba. Diz que o Rock, o Pop e a MPB não crescem, tendo sempre regredindo em relação a letra e música. Bandas surgem e não conseguem evoluir, criando essa falta de material na cena cultural do Estado. Atualmente, José Roberto ainda mantém contato com a música, escrevendo sobre cultura no Caderno Dois de A Gazeta como editor, mantendo assim sua tradição e conexão com o meio musical, sua grande paixão.


A importância de ser Monica Tenore

Março 28, 2008

Monica Tenore

Uma vida de conquistas em 20 anos de sucesso

Por Nathália De Paulla

Ela pode ser considerada um ícone no mundo da Dança. Aos 43 anos é dona de uma conceituada escola em Vitória e além de dirigir e dar aulas, ainda tem tempo para ser mãe, amiga e dar entrevistas em seu tempo livre: Fala de conquistas, sonhos realizados e momentos marcantes. Tudo isso regado à aquela emoção que também é presente em seus dias a cada vez que entra em uma sala de Ballet. Monica Tenore, sinônimo de garra e dedicação, nos conta um pouco de sua história.

Ao entrar em sua escola de dança logo percebe-se uma correria que já é de costume. Entre crianças, adultos e adolescentes procuro uma brecha para falar com ela. A primeira vista, poderíamos pensar que aquele mundo é uma loucura onde somente quem está lá entende, e logo que consigo explicar sobre o projeto de fazer um perfil, noto um sorriso orgulhoso em seu rosto. Talvez pelo fato de que tenha orgulho de falar de sua carreira ou talvez porque seja diferente o fato de uma aluna estar ali interessada em reviver sua história.

Nada de formalidades ou coisa do tipo, a entrevista parecia mais uma simples conversa. Ao ser perguntada sobre sua infância, fala com clareza que nascera no dia 15 de Maio de 1965, em São Paulo, Capital. Peço para que fale de sua infância, e referindo-se a si mesma na terceira pessoa responde: “A Mônica quando criança era muito brincalhona, levada, adorava jogar bola com os meninos e contar historinhas para sua irmã mais nova”. Diz também que era boa aluna, mas não ótima, e fala de alguns hobbys que sempre teve.

Finalmente pergunto sobre o Ballet. Sorrindo, Monica conta que começou aos quatro anos de idade por incentivo dos pais e que por incrível que pareça quis parar aos oito, mas por insistência de sua mãe continuou. Aos 16 já era professora, conta que por adorar crianças e também pelas dificuldades financeiras, ela queria fazer algo, ser alguém. Paralelo as suas aulas no Ballet Studio Lenira Borges, ela começou a dar aulas.

Começou como qualquer outra professora, dava aula em escolas, creches e até mesmo em salões de prédios, mas sempre se dedicando a estudar Ballet e a fazer cursos fora de Vitória, quando podia. E foi aí que Monica percebeu o que queria para a sua carreira. Pergunto se pensou em parar o Ballet enquanto fazia a faculdade de Administração, com convicção ela responde: “Pelo contrário! Nunca pensei em parar o Ballet, queria parar a faculdade.” Ela conta que teve muito apoio dos pais desde sempre… Contanto que não parasse a faculdade jamais.

Ao terminar a faculdade, resolve abrir sua própria escola de dança. Dificuldades? Ela responde que sim, pensativa. Alega que a parte mais difícil de montar algo nesse ramo é conquistar alunos e mostrar quem você é, porém contava com o reconhecimento que tinha no grupo de dança Lenira Borges, e foi fazendo seu nome devagar, sempre presente na escola, dando todas as aulas. Sobre desistir, ela responde com firmeza que não há espaço para essa palavra em seu vocabulário.

Resolvo perguntar sobre os 20 anos de escola que completa neste ano de 2008. Claro que ela exibiria um sorriso orgulhoso por toda caminhada que percorreu até hoje. Peço para que conte em poucas palavras o que tudo isso significa em sua vida. O modo como fala mostra que um filme de toda essa trajetória passou por sua cabeça. “Depois de 20 anos, olho para trás e sinto um orgulho danado de mim mesma, modéstia a parte, mas é que sempre lutei muito sozinha sem nenhuma sócia ou família por perto para me ajudar. A pessoa mais maravilhosa que era o meu braço direito e esquerdo, minha mãe, se foi depois de dois anos que eu tinha a escola. Ela me ajudava em tudo, problemas com mães, crianças, problemas administrativos, financeiros, além do carinho e de um sorriso que sempre existia no seu rosto. Mas… a vida é assim”

Nessa hora é notável a emoção com que fala de sua mãe. Já era esperado ouvir Mônica comentar algo sobre ela, da mesma forma que era emocionante abrir seus programas de fim de ano e ver que em todos, havia uma homenagem regada de saudade de sua mãe, a quem ela elege uma das pessoas mais importantes de sua platéia.

 Entre todas as conquistas, seu nome era a maior delas. Reconhecimento e respeito de outras pessoas de dentro e fora do mundo da dança. Atualmente, Mônica não está mais nos palcos, aos 30 anos ela para de dançar, mas sem deixar de ser uma eterna bailarina.

“E o trabalho que faz com suas alunas? Tem tudo da Mônica somente como profissional ou tem também um pouco da Monica bailarina?”, pergunto um tanto quanto curiosa, pois sempre tive curiosidade de ver essas duas Monicas juntas, e saber se há alguma diferença entre elas. Nessa hora é possível sentir um tom de empolgação em sua voz. “O trabalho que faço tem tudo de profissional e tudo da Mônica, pois dançar, ensinar, e ter a minha escola, é a minha VIDA.” Talvez não fosse necessário perguntar, pois é visível que ela vive realmente para aquele mundo da dança.

E mesmo parecendo perfeito, o mundo da dança também tem suas exigências. Muitos perguntam a bailarinos a sensação de estar nos palcos sob as luzes. Como bailarina sei dos meus nervosismos, mas e ela como professora? Mônica diz que é normal, que nervosismo faz parte da alma da bailarina. “Eu hoje posso não dançar mais nos palcos, pois todos sabemos a hora certa de parar, porém eu danço o tempo todo com as minhas alunas, vibro com os giros, com os saltos e quase que faço tudo junto dentro das coxias do teatro.” E há quem diga que os bastidores não são tão sensacionais quanto os palcos!

Em 2007 Monica mais uma vez dirige dois espetáculos do qual se orgulha. Entitulados de “Viagem ao fundo do mar” e “Uma noite espanhola”, perguntei se além do nervoso de estar nas coxias ela esperava o reconhecimento do sucesso de seu trabalho, ou se foi uma surpresa. Mas para a minha surpresa Monica alega que sempre acha que seu último espetáculo foi o melhor, porém o próximo sempre supera o anterior. “Acho que é o AMOR à dança que faz isso acontecer, mas sempre é uma surpresa muito boa quando a gente vê que realmente as pessoas gostaram e até se emocionaram com o nosso trabalho. E a gente sente isso através dos aplausos da platéia.”

Desses aplausos finalmente faço a pergunta talvez mais esperada por mim. Peço para citar um espetáculo predileto. Entre os clássicos ela relembra de Dom Quixote, Coppélia e Quebra Nozes, mas o musical em homenagem ao astro Frank Sinatra foi que mais a marcou. Motivo? Junto com ele comemorava 10 anos de sua escola e descendo do alto do palco em um balanço ao som de “New York, New York”, de Sinatra.  “Foi muito emocionante”, conta Mônica, entre sorrisos.

Agora 10 anos depois, diz que pretende comemorar em grande estilo como a escola merece e como seus alunos também merecem. Conta que está amadurecendo idéias, mas que com certeza será um grande espetáculo. Monica começou seu ano de 2008 bem, construiu uma nova sala, ganhou novos alunos e já pensa em uma viagem ao Festival de Joinville com seus bailarinos, assistindo com muita alegria o crescimento de sua escola.

Mãe de Ariel, ela também inclui o nascimento de seu filho em um dos momentos mais importantes e marcantes de sua vida, já que o pequeno foi a realização de um sonho, o de ser mãe. Entre saudades, cita novamente a mãe, pessoa especial em sua vida e que tanto a marcou e a ensinou coisas da vida. Ela também possui amigos. Lembra com carinho de Gabriela Camargo, carinhosamente chamada de “Gabi” por ela, que depois de ser aluna, se tornou professora de sua escola e é considerada uma irmã de todas as horas além de excelente profissional.

Como palavra, cita “Fortaleza”, adjetivo que talvez possa ser atribuído a toda sua família, que ela relembra com orgulho e diz que mesmo longe, vibram, torcem, sofrem e no final… Aplaudem! ®