Eles dão dinheiro

Abril 13, 2009

Por que será que os seriados americanos roubam a cena do cinema a cada dia?

Por Nathália DePaulla

 

Eles nos fazem companhia uma vez por semana. Trinta minutos, uma hora, não importa! Do sofá de casa viajamos diretamente para vários mundos: o policial, o político, médico, científico ou simplesmente para o das risadas. E o melhor de tudo: quase que gratuitamente! Talvez seja essa a razão pelo qual os seriados norte-americanos, que passam principalmente nos canais de TV a cabo, roubam o lugar dos cinemas a cada dia.

Início dos anos 90. Quem tem mais de 20 e poucos anos se lembra de como era bom sentar ao sofá e assistir as aventuras de Shazam, Twin Peaks, Baywatch e Beverly Hills. Não diferente de hoje, as séries continuam a atrair milhares de discípulos por onde passam, arrecadando quantias bilionárias a esse novo mercado de Hollywood.

Essa avalanche causada pelos seriados, também chamados de “sitcoms”, se dá por conta de alguns fatores que vão de encontro às questões comportamentais dos fãs. Pontos como proximidade, identificação e fantasia estão seriamente ligados a essa febre que toma conta dos canais de TV a cabo e atualmente alguns canais de TV aberta. E é aí que o cinema perde espaço. Além da comodidade de não precisar sair de casa, os seriados proporcionam ao fã uma série de itens que podem dar longevidade ás obras dos produtores de seriados. Além disso, muitas vezes os fãs colaboram com a série, o que diminui a distância entre criador, criatura e… viciados!

No cinema, após o término do filme o máximo que acontece é a espera do lançamento em DVD que vai das locadoras à TV de casa, mas com as séries é um pouco diferente: a cada semana, produtos lançados na internet fazem a cabeça dos seguidores que desembolsam quantias muitas vezes consideradas absurdas para adquirir produtos e estar cada dia mais ‘perto’ de sua série predileta.

O fato de saber que haverá um episódio novo a cada semana também é um item de peso na lista dos adoradores de seriados. “Com o filme,a gente sai do cinema triste porque acabou, com o seriado a gente passa a semana toda esperando pra ver os personagens de volta na tela. Eu sempre achei que filmes duram muito pouco, sempre quero mais, mas nunca dá! São poucos os filmes que tem uma continuação legal, sem contar que os seriados duram anos!”, conta Juliana Passarini, dentista, fã da série Baywatch desde os anos 90 e que agora acompanha Damages, pelo canal pago HBO.

E não é só Juliana que integra esse mundo dos seriados, cada série chega a ter mais de três milhões de fãs do início ao fim do legado. Essa migração das salas de cinema pras salas de casa ocorreu principalmente por causa do elenco, pois muitas vezes os atores que fazem a série fazem mais sucesso do que a série propriamente dita. Divididas por temporadas, a cada período entre a “Season Finale” e a estréia da nova temporada, os fãs se desesperam por spoilers, fotos, notas da produção e ainda brincam de escritores com as fanfictions, que narram cenas dos personagens de acordo com a história da série, ou simplesmente como os fãs gostariam que fosse.

A migração. Como aconteceu?

Antigamente as pessoas iam ao cinema por falta de variedade na TV. No Brasil, como o forte ainda são as novelas, quem não gosta desse tipo de programação só tinha o cinema como diversão alternativa, mas com a popularização da TV a cabo, séries como Arquivo X, Ally McBeal, Seinfeld e Friends caíram nas graças do povo, tornando-se os carros chefes de canais pagos como Warner e Fox.

O fato de ter periodicidade semanal dá aos fãs um motivo para se ater a frente da TV toda semana. De sete em sete dias, um episódio novo é apresentado, e cerca de cincos minutos após sua exibição são inúmeros os posts que circulam pela internet comentando sobre o que foi exibido.

È bem mais fácil acompanhar uma série do que um filme, aliás, não é mais fácil, mas na visão dos fãs é mais gostoso. As séries possuem temporadas com cerca de 20 a 22 episódios e a cada semana, com uma nova história ou uma continuação, o enredo dura anos, o que não acontece no cinema, como citado anteriormente. Muitas pessoas não têm paciência para ver um filme inteiro, mas esses 30 ou 60 minutos na frente da TV são perfeitamente aceitáveis, até mesmo porque os seriados têm intervalos, o que não acontece no cinema.

“No cinema, a gente perde o filme se for ao banheiro. Isso é horrível já que nos seriados, além dos intervalos a gente pode controlar o play e o pause se tiver a TV a cabo interativa. É possível parar, continuar, gravar, voltar a cena… fazer de tudo! Isso que dá graça de ver seriado”, conta Débora Ferreira, a médica de 35 anos, que se diz em séries de TV desde os 22 anos de idade. “Tudo começou com Friends e agora, vai muito além, eu procuro pelos lançamentos, assisto aos pilotos e morro se tirarem a TV a cabo de mim!”, conta a médica.

Essa é somente uma das vantagens encontradas pelos fãs para trocar o cinema pela sala de casa, já que além dessa interatividade, os seriados têm um horário fixo na grade tanto para exibição como para as reprises, o que dá uma flexibilidade para aqueles que trabalham ou estudam nos horários de exibições.

No cinema, o filme fica em exibição por cerca de três ou quatro semanas em horários fixos, mas mesmo assim em muitas vezes não agradam aos usuários. “Eu queria muito ver o filme Marley e eu, com a minha triz predileta, a Jennifer Aniston, mas o filme tinha exibição somente às 16 horas, 19 horas e 22 horas… Todos os horários que eu estava ocupada, por isso tive que esperar chegar à locadora. Mas sempre pude ver a Jennifer [Aniston] na TV semanalmente em Friends”, afirma Maria Clara Perez, a veterinária de 26 anos. “A série era exibida às 19 horas toda terça feira, mas tinha reprise a 01 hora da madrugada e no outro dia, 01 hora da tarde. Fica bem mais fácil ser fã de seriado do que ser fã de filme de cinema”

Os fãs…

…São de idades variadas. Crianças, jovens, adultos, médicos, advogados, bailarinas… Mesmo com todas essas diferenças eles se reúnem em prol da mesma paixão: o seriado predileto. A internet proporciona uma movimentação enorme através dos grupos de discussão que aproximam pessoas de diversos estados e até mesmo países diferentes com o fim de promover a informação das séries de TV exibidas.  Na internet é fácil encontrar pessoas que se identificam somente pela série e nada mais, o que possibilita um leque variado de opiniões sobre o mesmo tema.

Lunna Rios, 23 anos, mora em Minas Gerais, é formada em psicologia e tem como melhor amiga, Luiza Avillar Campos, 20 anos, estudante de Engenharia Civil. As duas não dividem os mesmos estilos musicais, não se vestem da mesma forma e nem se interessam pelos mesmos livros, mas se adoraram desde a primeira conversa sobre… House. A série, que está na sua atual quinta temporada narra o dia-a-dia de um médico arrogante que tem como desafio diagnosticar os mais complicados casos em um Hospital americano movimentado.

E não são somente as duas que fazem parte desse mundo médico, Elaine Nascimento, Jornalista, também é uma fã apaixonada, que acompanha a série semanalmente não só pela TV a cabo, mas pelos episódios que baixa antecipadamente pela internet, já que todas as séries demoram cerca de três semanas para virem dos canais americanos para a nossa telinha.

“Eu não costumo ser fã de um seriado só. No momento acompanho House fielmente, sou Huddy* mas tenho gosto por outros também, depois que o seriado acaba fica ruim rever o mesmo episódios várias vezes, aí a gente acha outra coisa para se dedicar, mas o carinho fica”. Além de House, ela também participa de grupos de discussão de Arquivo X e participa dos encontros promovidos pelos integrantes.

Como Elaine, ou Nani como gosta de ser chamada, outras pessoas com interesses diferentes se unem por conta das séries. Algumas vezes, acontecem até certas indisposições por conta das opiniões, mas são tantos amigos em comum e tanta paixão em comum pelo programa em questão que fica sempre tudo resolvido, e além disso, as novidades expostas na rede são tantas, que quase não sobra tempo para discussão!

E a internet ajuda!

Além das informações sobre o seriado, os produtos promovidos pela produção das séries fazem a cabeça dos fãs. Camisas com fotos, canecas, Dvd’s, Cd’s com trilhas sonoras entre outras coisas são disponibilizados em sites oficiais e ajudam no caixa bilionário da série. O mercado movimentado por essas vendas chega a arrecadar mais de 4,9 milhões por ano somente aqui no Brasil. “Eu não ligo de gastar com a série que eu amo porque adoro andar por aí com camisas e outros acessórios da minha série… Sei lá, essa coisas marcam a vida da gente, vale a pena ter e compartilhar”. A fã que adora gastar com suas séries é Tássia Camargo, professora de Ed. Física, 29 anos, que como tantos outros fica de olho nos lançamentos das produtoras.

Para os colecionadores, qualquer material nunca é demais. Quando um filme chega às telas do cinema, o máximo que se consegue são as matérias de promoção que são publicadas em revistas e cadernos culturais do jornal. Com exceção dos grandes clássicos, pouco se consegue das produções que ficam cerca de um ou dois meses em cartaz, e nesse quesito, não lucra mais do que as séries.

Outro ponto que dá vantagem para as séries sobre o cinema é que no Brasil, os produtos chegam a ser três vezes mais caros do que nos Estados Unidos. Um Box de temporadas chega no país por 100 ou 120 reais, enquanto nos Estados Unidos eles podem ser comprados por cerca de 49 dólares. O Dvd do filme Sex And The City (Eua, 2008), que aqui custa R$ 59,90, pode ser comprado pelo site da Fox ou da Amazon por US$ 29,00.

Além de compras, a amizade também é promovida pela internet, o ESfiles, grupo mais antigo e mais sólido de Arquivo X (The X Files, 1993-2002) do Espírito Santo também utiliza a internet como ponto de encontro. Fundado em 2001 por Cinthya Melotti e Thaís “Sunny” Krischer, o grupo hoje reúne fãs de todos os estados, e promovem encontros anuais onde os “estrangeiros”, como são chamados pelo grupo, saem da frente do monitor do computador para a cidade de Vitória, aqui no espírito Santo anualmente.

“Todo ano não vejo a hora de viajar para ‘Vix’ e rever todo mundo. A gente faz tudo com muito carinho e se falar sempre pela internet. Se Arquivo X fosse somente um filme, eu duvido que teríamos tudo isso há sete anos. 2008 foi um ano que marcou por conta do novo filme, mas em 2009 a gente espera muito mais”. A afirmação é de Beatriz Alves, que mora em Belém e cedeu uma entrevista via MSN. Além dela, muitos outros “estrangeiros” que fazem parte do grupo preferem seriados à cinema.

Devido ao seriado, o grupo chega a ter mais de mil mensagens por mês no fórum on-line que leva o nome do grupo, hospedado no Yahoo. Por mais que os assuntos tenham algum comentário externo, tudo gira em torno da série. E não para por aí! O grupo promove premieres com direito a salas de cinema fechadas somente para eles, encontros de fim de semana, maratonas e muitas outras coisas que só os fãs da série entenderiam. O lema do grupo é manter a acesa a chama da série mesmo depois do fim da mesma, e como foi comprovado, é o que acontece.

Mas isso vai muito além…

Algumas pessoas acham até que o que as une é somente o seriado, mas com o passar do tempo, a relação de amizade se torna intensa e os grupos se tornam a famosa grande família internética. No Esfiles, muitas outras coisas são divididas além dos episódios de Arquivo X. Eles estão juntos também nos momentos ruins e cada um ajuda o outro como pode.

Outro grupo mantém algo parecido, no “Just Friends”, grupo criado há cerda de sete anos para os fãs do seriado Friends (1994-2004) e que prega a amizade vista entre os seis personagens da série também fora das telas. Nathália Ferreira, 22 anos, que faz parte do grupo desde a criação explica como tudo acontece: “Ficamos juntos em qualquer momento. A hora de se encontrar na net é sagrada e as visitas a outros estados para ver nossos “irmãos” é perfeito, eu devo isso tudo ao seriado, afinal a gente se conheceu por causa dele e vai morrer unido por ele”.

Como Beatriz, Nathália concorda que isso nunca acontece no cinema. “Lá somos totalmente estranhos, já que depois do filme, todo mundo vai embora e ninguém se vê nunca mais. Seria muito bom se houvesse essa conexão com os filmes também”, justifica.

Os encontros promovidos causam alvoroço e ansiedade nos integrantes, neste ano por exemplo, os fãs de House, não vêem a hora de se encontrar também. O evento será em São Paulo no mês de Abril, e ninguém acredita que tudo começou por uma comunidade em um site de relacionamentos da internet.

Os produtores fazem a série… Será???

Os seriados não teriam tanta graça se os telespectadores não tivessem uma espécie de participação no rumo da série. Em 97, quando o criador da série Arquivo X anunciou a saída do Ator David Duchovny do seriado, milhares de fãs se comoveram e fizeram movimentos pela internet e por cartas pedindo o retorno do ator a série. Tudo teria dado certo se essa não fosse uma escolha do ator e não da produção.

Os relacionamentos entre personagens, a retirada e entrada de personagens são muitas vezes inspiradas na vontade dos fãs. E como isso e feito? Através das informações enviadas aos produtores pela internet. Esses mesmos fóruns de discussão de fãs muitas vezes têm em anonimato produtores e outros integrantes da equipe que se associam somente para ver o que acontece no mundo do fanatismo.

“Essa é a nossa vantagem! O filme vem para a gente prontinho, deixando espaço somente para críticas posteriores mas nunca dá para mudar nada. No seriado, de temporada para temporada, eles são capazes de mudar aquilo que não agradam os fãs, por isso que a audiência depende somente da gente”, comenta Tássia Camargo, estudante de jornalismo, 23 anos.

Os fãs se desesperam com rumores de fim da série, criticam envolvimentos, separações e fazem de tudo para ter seus personagens preferidos no ar enquanto puderem, tanto que o sucesso de Friends durou por dez anos seguidos mesmo o anúncio do fim sendo feito na sétima temporada. Outro seriado que permaneceu no ar por mais de dez anos foi Seinfeld. Na época, os fãs juraram suicídio coletivo caso os produtores terminassem mesmo a série. Verdade ou não, a série continuou no ar por cerca de mais cinco anos.

Sub-retranca: Quem dá mais dinheiro no final?

Em vista da guerra fria entre cinema e TV, é comprovado de que a séries dão bem mais dinheiro do que os filmes, mesmo quando eles são frutos das próprias séries. Em 2008 quando Arquivo X, filme esperado por todos os fãs do seriado, foi lançado, arrecadou somente US$ 10.000 em seu final de semana de estréia. A quantia parece alta, mas essa não é nem a metade do que o programa arrecadava em uma única temporada na TV.

Talvez o segredo mantido em volta das produções cinematográficas afaste os fãs das obras, por isso, as tão aclamadas séries vêm para suprir essa falta, já que os spoilers estão disponíveis para qualquer internauta nas páginas da web, com direito a opiniões e sugestões que podem -ou não- ter conhecimento dos produtores das séries futuramente.

O Info Online divulgou em agosto de 2008 que mais de 5,4 milhões de lares têm TV a cabo no Brasil, fora os 40 mil que têm TV a cabo irregular. Considerando que a variedade de séries é maior a cada dia, e que uma pessoa assiste em média cerca de três séries, se todos forem adquirir produtos o mercado das séries sobe no ranking significativamente em cima do mercado cinematográfico, que mesmo lançando um número alto de filmes por ano, não consegue manterá febre levada pelas séries por muito tempo, ao passo que não há nada de inédito sobre um filme após o lançamento .

Esse é o motivo pelo qual o filme Sex and The City (1998-2004) fez mais sucesso nos cinemas do Indiana Jones, toda produção que tem como base um seriado, agrada mais do que quando começa pelo filme propriamente dito. sex

Mas…

…Há quem goste ainda das grandes telas. Seja para acabar com o tédio ou somente para sair de casa, algumas pessoas ainda relutam em abandonar os cinemas. O cheirinho de pipoca, a movimentação e o famoso escurinho ainda conquistam um público cada vez mais seleto, mas ainda assim, amante dos cinemas. “Eu nunca vi graça em ver filme em casa, porque quando a gente vai no cinema parece que o filme foi colocado lá só pra gente, de forma especial. Em casa ele se torna um DVD”, pontua Lúcio Ponttes, engenheiro elétrico, 31 anos.

Como Lúcio, seu irmão, Carlos Ponttes também faz questão de ir ao cinema pelo menos uma vez a cada 15 dias, mas confessa que tem lá suas séries preferias. Em um site de relacionamentos da internet, em geral pode-se conferir que cerca de 74% dos usuários preferem séries, contra outros usuários amantes de cinema.

Box: A psicologia por trás do fanatismo

“Na verdade, o que acontece na relação entre fã e série é bem simples. Por estarem sempre na televisão, os seriados acabam por influenciar diretamente a vida de quem assiste, no cinema um filme acaba de sair de cartaz e a gente logo esquece para poder comentar outro, ver outros. Já houve casos em que tratei de pessoas que se sentiam infelizes por não terem características iguais aos dos atores de seus seriados ou por acharem que nunca iriam ser aquele profissional perfeito que se vê na tela, que na verdade nem existe. Muitas vezes os telespectadores não conseguem diferenciar o ‘gostar’ do ‘idolatrar’ que sempre faz mal.

Nem sempre os fanáticos entendem que aquele cabelo da atriz principal demorou horas para fazer, que os olhos são lentes e que o corpo perfeito é resultado de um dia inteiro de treinamento, o que não nos é possível. Eles são pagos para estarem sempre daquela forma espetacular e a única coisa que fazem é aquilo. Algumas pessoas tomaram decisões após verem filmes e séries e tiveram um rumo diferente. Aí sim é saudável, fora isso, é um caso a ser levado a sério, porque não é de hoje que vemos adolescentes invadindo escolas com armas pesadas após verem filmes violentos ou jogarem games onde o principal alvo era agredir ou ferir gravemente outros jogadores e personagens. É algo a se pensar.”

Débora Ferraz, 44, Psicóloga.

®

Monica, Rachel, Phoebe, Ross, Chandler e Joey: O seriado-vício da autora durante 10 anos. E o seu, qual é?

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04/04/2009

Abril 4, 2009

*Para minha Bebel, a minha perfeição indescritível.

Por Nathália De’Paulla

É a primeira hora de seus 48 anos. Tanta coisa se passou, tanta coisa aconteceu nesse tempo e uma delas fui eu. Eu, nós, o nosso encontro. Encontro de alma, de tudo. Ao contrário do que pensam, nada começou há 22 anos… Talvez estivemos assim por eras, desafiando o tempo, desde outras vidas.

Agora enquanto você dorme, eu fico aqui quietinha sem fazer barulho digitando qualquer coisa, e considerando que uma vez eu disse que não havia palavras para descrever toda a importância da sua arte de existir para mim, agora vejo que talvez eu estivesse certa. Com certeza eu estava certa. Como estive certa em todas as vezes que falei que você era a pessoa que eu mais amava na vida.

Eu conto os segundos para ficar com você, os segundos que se tornam décadas quando você fica longe, quando está com sono ou trabalha demais. Segundos que somem quando você finalmente está perto ou quando me liga pra dizer que me ama. Capturo-me pensando se essa data de hoje é mais importante para você do que para mim já que você é um presente MEU. Feito só pra mim, entregue para mim e insubstituível. E de mais ninguém que eu sei.

Queria ter passado mais tempo com você nesses últimos 365 dias. Talvez mais idas ao shopping e menos discussões bobas, mais pizzas divididas do que crises de ciúme, e talvez mais abraços e beijos do que os outros tantos que para mim nunca são suficientes. Eu queria poder acordar e mandar o mundo pra fora de órbita e ficar o dia todo fazendo aquelas bobeiras que só você ri, aquelas mesmas bobeiras que geraram nossos melhores e mais bizarros momentos.

Gosto de ver como você lembra de cada segundo meu… De como lembra dos meus olhos – que hoje são iguais aos seus-; das minhas frases quando pequena, das minhas travessuras e de como foi amor a primeira vista, no primeiro sapatinho, na escolha do meu nome, do brinquinho de coração que Helena um dia há de usar.

Eu não te divido com ninguém. Nem comigo mesma! Guardo com cuidado e carinho toda lembrança sua. Elas vão ficar marcadas, pra sempre como uma tatuagem, umas das muitas que tenho e como outras que talvez um dia eu faça. Me sinto a melhor do mundo por ser a primeira a te dar parabéns a meia-noite, no abraço de seis minutos que pra mim foram como seis horas… E que poderiam ter sido seis anos, não faria mal!!!

Nem sei o que te desejo nesse dia, desejava na verdade escrever uma crônica legal e tocante, mas quem disse que algo sai? Vai além de palavras digitadas, é isso! Poderia desejar saúde, paz, sucesso e alegria. Mas te desejo outra coisa… Desejo-te tempo. Tempo pra ficar só comigo. E tempo para ser feliz.

Lembro-te das promessas… Quero que cumpra o que disse sobre nunca me abandonar, que sempre vai estar do meu lado quando eu pensar em ti e que mesmo no céu, vai estar do meu lado. (Mesmo sabendo que por mim, iria contigo…)

Ah! Te desejo muitos outros “amanhãs”, porque como você mesmo diz, ainda tenho a vida toda pela frente e amanhã é sempre um novo dia, que eu espero que seja sempre com você.

E confesso que tenho medo do tal “amanhã” a ponto de não conseguir nem respirar, de não querer pensar e muito menos falar. Medo de acordar e não estar mais com você, minha irmã que é tanto irmã como mãe… Mas ao mesmo tempo eu penso que nunca poderíamos dizer que a ida de uma de nós para qualquer outro lugar fora deste mundo seria o fim. O que é amor verdadeiro não tem fim, o que nos faz bem não tem fim, nós duas, em hipótese alguma, temos fim.

Pra sempre. Te amo pra sempre e mais um dia.

Nathye e Bebel


“Agora eu vou pro baile…”

Outubro 9, 2008

Mitos, curiosidades e verdades sobre o mundo do Funk.

Por Nathália De’Paulla

 

“Agora eu vou pro baile… De sainha…” E é assim que começa uma das músicas mais tocadas no momento. O ritmo marcado por batidas fortes é o Funk, movimento musical que a cada dia atrai um número considerável de jovens para os famosos ‘bailes’. Mas não se engane, apesar de marcar a juventude brasileira, o surgimento do Funk não aconteceu por aqui, mas sim nas terras do Tio Sam.

 

Ano de 1960. A Soul Music dominava as discotecas da época. O pianista norte-americano Horace Silver, se torna o pai do Funk. Silver uniu o Jazz à Soul Music e começou a difundir a expressão “funk style”. Nesta época, o Funk ainda não tinha a sua principal característica: o swing. Foi com James Brown que o estilo tornou-se dançante e ganhou o mundo.

Com influências também da música psicodélica, R&B, nasce o Funk que conhecemos, que adota um estilo indecente devido ao nome, que em inglês tem conotações sexuais. Com frases repetitivas e ritmo dançante, o estilo chega ao Brasil na década de 80 mudando a cena da juventude carioca. No início, falava de drogas, violência e a vida na favela e somente depois migra para o lado erótico, atraindo milhares de pessoas para os eventos.

Jovens entre 14 e 25 anos que dançam freneticamente ao som da batida sensual, são na sua maioria estudantes e dizem que mesmo com o preconceito, o Funk é algo envolvente, divertido e viciante, e vem crescendo à medida que atende a uma demanda comercial enorme. “As letras eróticas e de duplo sentido vendem mais”, conta a vendedora Luciana Rios, que trabalha em uma loja de CD’s em vitória. “Os jovens que vem aqui chegam pedindo o CD da Furacão 2000 e procuram logo pelas músicas mais obscenas, isso de certa forma atrai mais.” E a explicação que os jovens dão é sempre a mesma, é mais interessante dançar ao som de letras que incentivam  comportamento de forma mais sensual.

Os adjetivos tão conhecidos como “cachorra”, “tchutchuca” e “Moleque-piranha” ao passo que ofendem, são vistos pelos funkeiros com algo positivo. Homens e mulheres se sentem mais atraentes ao serem considerados assim. “Me sinto bem quando passo para ir no baile e um cara fala que estou cachorra. Não me ofende, porque toda mulher gosta mesmo de ser cachorra em certas ocasiões. Fazer a homarada virar o pescoço na rua é sinal de que você agrada.” A confissão de Priscila Lúcia, 21, é apoiada pelas amigas que também freqüentam os bailes. Talvez um ouvinte de MPB sinta-se ofendido ao ouvir um ‘elogio’ desses na rua, mas no mundo das amantes do Funk, o que é considerado baixaria por uns, vira moda e faz com que uma disputa aconteça entre as ‘tchutchucas’ do local.

 

Sim, por incrível que pareça há um clima de rivalidade entre os freqüentadores dos bailes. As mulheres competem entre si para ver quem é a mais cotada e os homens competem para ver quem consegue mais mulheres em uma noite. Rodrigo Ferreira, 23, diz que já se envolveu em brigas sérias por garotas em bailes ou somente para provar a masculinidade. “Ninguém gosta de ser desafiado. Eu estava na minha, mas fui obrigado a revidar depois de ouvir indiretas de um cara que não respeita o baile.” E o que seria esse respeito que Rodrigo se refere? “Não mexer com a mulher dos outros, e não olhar invocado.” Ao que se parece, todo cuidado é pouco, ou pequenos gestos mal interpretados podem acarretar acidentes causados por brigas sérias entre os freqüentadores, e o que deveria ser apenas diversão torna-se um perigo e uma preocupação para os pais dos freqüentadores.

 

Violência.

 

Mas não só de violência o baile é feito. Fontes afirmam que há sim uma segurança reforçada nesses eventos, mas que do mesmo jeito, é impossível evitar uma ou outra briga. As mulheres, que são objeto de desejo dos funkeiros são respeitadas e podem dançar a noite inteira sem serem incomodadas, se quiserem. A tentativa de conter a circulação de drogas nesses eventos continua, mas, alguns jovens insistem em entrar munidos com entorpecentes no local. Já em relação a armas, a revista feita em homens e mulheres na entrada garante que objetos que apresentem algum tipo de perigo fiquem de fora do evento. 

 

Mas nem sempre foi assim. Garotas que eram violentadas nos banheiros, jovens que morreram vítimas do corredor da morte organizado nos bailes e aumento do tráfico, fez com que em 99, fosse criada uma CPI na Assembléia Legislativa do Rio apenas para investigar as brigas nos bailes e as acusações de violência, apologia ao crime e ligação com o tráfico. Embora as conclusões práticas da CPI tenham resultado em uma lei que foi quase esquecida pelo Rio de Janeiro, as denúncias, graves, geraram repercussão na sociedade e medo entre os pais e os freqüentadores das festas cariocas.

 

Arthur Cabral, delegado responsável por investigações das festas, dá detalhes dos chamados corredores da morte: “Os promotores, incluindo a Furacão 2000, organizavam no meio do salão dois grupos rivais e, no meio, ficavam seguranças”. De acordo com Cabral, um integrante de um dos “lados” escolhia outro do lado inimigo o espancava. “Muitos jovens teriam morrido nestas brigas e garotas, levadas para o banheiro, eram violentadas”, acusa Cabral. Rômulo Costa, dono da Furacão 2000, confirma a ocorrência de corredores da morte em alguns bailes funk, mas nunca nos promovidos por sua equipe.

 

Nos jornais da época, principalmente entre 97 e 99, é comum se ler sobre mortes e feridos em bailes Funk – em especial os dos bairros mais pobres do Rio de Janeiro.

 

E quem não participa?

 

“Não vejo como algo ruim, mesmo vindo da favela acho que não tem nada a ver ouvir em casa.” A frase é de Juliana Intra, 23, estudante de Engenharia Civil. A universitária diz gostar do ritmo e não o despreza só por ser originado em periferias. Aliás, ao contrário do que se pensa, o Funk não atrai somente a classe baixa. A classe média-alta, mesmo que não marque presença nos bailes, alimenta o gênero musical baixando músicas da internet e ouvindo fora dos bailes.

Títulos como “Beijando seu marido”, “Desce glamourosa” e “Fiel é o C…” fazem a cabeça da pré-universitária Larissa Vasconcelos, 18, que gosta de ouvir o ritmo para se animar quando está em casa, mas que jamais freqüentaria um baile funk. A estudante diz ter medo das pessoas e da violência envolvida; alega nunca ter ouvido algo bom sobre os eventos e que nem pretende conferir de perto. Já Rayssa Bringhenti, 19, estudante Jornalismo defende o movimento: “Baile não é toda essa baixaria que todo mundo pensa. Pode até haver uma briga ou outra, mas isso tem em qualquer lugar, independente do ritmo escutado.” De acordo com pesquisas feitas pelo site do Terra, há indícios de que a violência tenha diminuído, a medida que as músicas deixaram de incentivar brigas e puxado para o lado sensual.

 

Mas toda ação…

 

Gera uma reação. E com o Funk virando-se para o lado sensual, e o que seria de uma “glamourosa porpurinada” sem um figurino chamativo? Como o Gótico, Punk e Heavy Metal têm seu estilo, no Funk não podia ser diferente. Ousando e inovando com as mais variadas combinações, as mulheres que apreciam esse gênero usam e abusam de tudo aquilo que não usaríamos em certas ocasiões.

 

Saias minúsculas com brilho, mini-shorts com cinturões e os mais variados tops, tudo isso acompanhado de salto alto e acessórios extravagantes. Nos bailes podemos perceber que por mais que diferenciem cores ou peças, o estilo é sempre o mesmo. Com uma certa fixação  pelo corpo perfeito,  as roupas vão ficando cada vez menores e mais justas, criando um estilo sensual, mas ao mesmo tempo vulgar.

 

Carolline Souza e Patrícia Soares são adeptas à moda do Funk. Preferem micro saias com blusas decotadas e calças baixas justas com tops. Nos olhos, maquiagem cintilante e argolas douradas, sem dispensar a sandália plataforma também com brilho. Ao serem perguntadas sobre a escolha, a resposta é unânime: Ambas gostam de mostrar nos bailes algo que elas não podem mostrar na escola. Como são estudantes do segundo grau, as funkeiras contam que saem de casa escondidas dos pais porque sabem que seriam repreendidas. “Minha mãe acha que eu vou ficar mal falada por sair de short e blusa curta. Mas no baile não rola ir tapada, tem que ser sensual, tem que chamar atenção”, conta Carolline.

E nesse universo onde menos é mais, quanto mais curto, melhor!

 

E não é só para as novinhas…

A auxiliar de escritório, M.P.F, 49 anos se divide em duas pessoas. Durante a semana trabalha em uma firma no centro de Vitória, mas no final de semana deixa a seriedade de lado e cai no Funk! Por motivos pessoais não quis se identificar, mas contou abertamente sobre sua paixão pelo ritmo.

 

“Eu me sinto mais nova usando as mesmas roupas que as meninas usam! Acho legal quando vou em uma loja e todo mundo fica me olhando só porque eu peguei uma calça mais apertada e um blusa sexy. Meus filhos odeiam, mas eu gosto.” E a paixão é antiga, conta M.P.F, aos 16 anos ela morava no Rio de Janeiro e freqüentava as festas feitas por seus irmãos que tinham uma aparelhagem de som, mais tarde o Funk explodia e ela diz ter sido “paixão na pista de dança”.

 

A auxiliar diz que não viu a idade chegar e nem o tempo passar; Sempre envolvida nos bailes e perdendo noites nas pistas de dança, afirma que sua saúde melhora a cada dia e que se sente renovada a cada saída com amigas. “As vezes encontro minhas filhas nos barzinhos  ou nos bailes, mas elas não são nem loucas de me chamar de mãe! Lá eu sou da mesma idade que elas e só quero saber de dançar.” Se os filhos a repreendem? Claro que sim, mas ela diz que prefere contrariá-los um pouquinho a não ser ela mesma. Quando não está trabalhando, abusa de saias, jeans com brilho e decotes avantajados. E acima de tudo, mantém bom humor nas eternas noites ao som do Funk. “Até hoje me visto como se tivesse 20 anos e nem vejo problema nisso, o negócio é não ficar velha e ter saúde.”

 

 

 

Psicológico: O comportamento ‘Funk’ tem uma explicação.

 

“O Funk como todo estilo musical tem uma explicação. O ser humano tende a usar a musica para extravasar emoções ou expressar vontades. Os românticos, por exemplo, se refugiam em clássicos ou baladas românticas temas de novelas e filmes. Os mais agitados, que a sociedade nomeia como ‘revoltados’ ou ‘rebeldes’, cujo problema tem uma raiz psicológica causada por traumas, problemas familiares (separações, óbitos de pessoas próximas, etc), se expressam com roupas, marcas permanentes pelo corpo (Tatuagens) e pelo Rock’n'Roll. Pode-se dizer que a música é traduzida como estado de espírito, e muitas vezes deixamos que certas letras digam algo por nós.

 

O Funk, por ter sido agregado desde o começo a atos sensuais e sexuais, vem exatamente de encontro a aquele sentimento de libertação que alguns jovens clamam. As famílias mais tradicionais têm jovens que temo Funk quase como religião. Esse gênero é tradicionalmente ligado a favela, a periferia e abrange jovens da classe média alta que se revelam quando estão dançando. Seria como dar um grito de liberdade e colocar naquele momento toda a repreensão vivida, gerada pelos pais.

 

As letras têm forte conotação sexual, e por incrível que pareça, algumas mulheres sentem-se atraídas por essa aura de dominação, ainda no século XXI temos moças que preferem andar sob o olhar superior de um homem, e ser chamada de adjetivos um tanto quanto negativos e ofensivos, além de dar mostrar a total submissão, dão a essas mulheres algo prazeroso, de certo modo, soa como se ela fosse a única mulher a mexer com o sujeito em questão.

Katharine S., Psicóloga e Fisioterapeuta


Entre a realidade e a ficção

Outubro 9, 2008

 Por Nathália DePaulla.

 

Tudo tem um preço. Ao inovar em Hollywood você corre o risco de falhar e ser lembrado para sempre como um fiasco ou de se sair bem e dar o que falar aos quatro cantos do mundo. Mas mesmo se a segunda opção acontecer, tem sempre uma crítica não tão construtiva para lembrar que por mais que estejamos em pleno século XXI, algumas pessoas ainda não aceitam a liberdade usada em programas televisivos nas cenas impróprias para menores de 18 anos. E é assim que Dirt, série estrelada por Courteney Cox (Friends 1994-2004) ao mesmo tempo em que alcança o sucesso logo em sua primeira temporada, causa desconforto em alguns conservadores que a assistiram. A série faz parte dos 22% dos programas que são considerados impróprios e mesmo assim alcança picos de audiência superiores a 24 pontos.

Há algumas semanas, um conflito entre a produção da série Dirt e um canal pago da TV a cabo tirou o sono dos atores. A série, que conta o lado sujo do Jornalismo X Hollywood conta com histórias intrigantes e polêmicas além de mostrar cenas de sexo impróprias para menores. Mesmo sendo transmitida em horário correto e exibindo um aviso de censura no início, até mesmo aqueles que têm idade permitida para acompanhar o programa ficaram surpresos com algumas cenas feitas pelos atores. Os produtores alegaram que as cenas são como qualquer outra e que talvez tenham se destacado pelo fato da série contar um pouco do que supostamente acontece no mundo do cinema. Com isso, o canal pago Sony Entertainment Television disse que não tem interesse em comprar os direitos do programa, atualmente exibido pelo canal People & Arts.

O problema está realmente no fato da série mostrar o lado “B” do tapete vermelho. Talvez, o incomodo se dê pelo fato de que Hollywood fica um tanto quanto desmascarada com a exibição da série. Tudo que é revelado em Dirt provavelmente já era de conhecimento de muitos, mas é diferente quando um produtor resolve colocar isso a frente das câmeras. A série é sem sombra de dúvidas um programa inovador e polêmico, com uma produção espetacular e atuações dignas de uma série classe A da TV paga. As cenas de sexo protagonizadas pelo elenco são fortes, mas não beiram ao ridículo e são takes rápidos, que deixam a conclusão para a imaginação do espectador.

O Canal não peca no horário de exibição, mas por passar a série aos domingos, dia que mais famílias assistem TV. Então, o canal poderia continuar exibindo seus avisos de censura, mas optar por transmitir o programa em outro dia da semana como era feito com Sex and the City, exibido nas noites de terça-feira. Mas certamente, o maior erro vem do canal Sony em perder o interesse nos direitos de Dirt, e mais ainda por perder a chance de ter Courteney Cox no horário nobre.  ©


Entre MPB e outros estilos – (Em formato de Crônica)

Maio 6, 2008

Por Nathália DePaulla

Acordei com a idéia de que a MPB é um estilo universal. Há quem goste de Pop, de Rock, de Jazz, whatever! Mas sempre tem aquele momento em que a situação pede aquela famosa MPB.

Em pesquisa, 49% da população alega ser fã de MPB. Marisa, Ana , Adriana e etc, todas aquelas que mais falam de amor são as mais lembradas sempre, mas mesmo assim o gênero ainda não faz a cabeça de muita gente. Encontro pessoas que se vestem de preto, usam lápis de olho e coturno, sempre surtindo um bom rock. “Mas e a música da sua vida?”, pergunto. “Quem de nós dois da Ana Carolina.” Claro que fiquei assustada! Se MPB não está na lista de preferências, como Ana Carolina pode estar? Eu sei que toda a regra tem a sua exceção, mas considerando que se o seu mundo é dentro do Blues, como o Samba poderia ser o estilo que marca a sua vida? Pensei por horas, tentei entender…

Depois indaguei outra pessoa, um relax amante do Reggae convicto, com dreads no cabelo e na prateleira só Bob Marley. “Tem alguma música que seja especial?”, “Aham, tem… ‘Bem que se quis’. Grande Marisa!” Já estava ficando irritada… E o estilo que constava no perfil do Orkut? Não contava mais? Percebi que nos momentos românticos, nos momentos felizes, o Rock sumia, o Pop sumia e o Reggae nem existia. Tudo girava em torno da MPB.

Fiquei a pensar nos meus melhores momentos; Ana, Marisa e Maria Rita. Humm… Então eu também tinha a MPB meus momentos especiais, não que eu não ouça MPB 24 horas por dia, mas nos meus melhores momentos, elas estavam comigo, e não o meu famoso Pop Rock e Pop Francês.

Comecei então a visitar perfis na internet e constatei o que já imaginava. Realmente, eu nunca via a sigla de três letras em 90% do gosto musical de centenas de pessoas, mas na parte de “Música especial”, a escolhida era geralmente uma Música popular Brasileira. Não sei se há uma resistência na hora de preencher o perfil, ou se talvez o gênero tenha caído no esquecimento de alguns, mas pelo jeito de MPB e louco, todo mundo tem um pouco. ©


De mais a mais – Por Nathália DePaulla.

Maio 6, 2008

Entre MPB e outros estilos

 

Acordei com a idéia de que MPB é um estilo universal. Há quem goste de Pop, de Rock, de Jazz, whatever! Mas percebi que sempre tem aquele momento em que a situação pede aquela MPB. Em pesquisa feita pelo site www.mpbehoqueha.com.br, 49% da população alega ser fã de MPB. Marisa, Ana, Adriana, etc, são as mais lembradas sempre, mas mesmo assim o gênero não faz a cabeça de muita gente. Encontro pessoas que se vestem de preto, usam lápis de olho e coturno, sempre curtindo um bom Rock, e mesmo assim em uma hora ou outra, Caetano aparece na vida deles.

Os shows de MPB são os menos lotados, os menos comentados e mesmo assim são as músicas que mais aparecem nas entrevistas. Há dois dias, uma matéria no canal pago GNT contou a trajetória de diferentes personalidades que mesmo com estilos e idéias completamente diferentes aderem a MPB nos momentos mais sentimentais. Sempre tem aquela ocasião em que nenhuma outra música se encaixa a não ser a MPB.

Eu percebo que há uma resistência em dizer a sigla de três letras quando perguntamos o gênero musical predileto. Entre tantos, muitos dizem preferir o Rock, mas no fundo acho que Gal Costa vive com eles naquele momento silencioso. Essa semana fui ao Jazz Café localizado em Vitória e percebi que o momento emocionante foi quando tocou MPB, mas por incrível que pareça todos eram do Moto clube e usavam camisas de bandas de Rock… Confuso? Também achei.

Tenho certeza de que entre os 49% que responderam a pesquisa, esses mesmos roqueiros não estavam na lista dos amantes de Música Popular Brasileira e muito menos das românticas que tocavam no local. As vezes, penso que essas são as mesmas pessoas que votam no Lula e logo depois reclamam do atual governo apontando todos os erros e ainda criticam aquelas pessoas que o elegeram, esquecendo de que estão inclusos.

O que mais me assusta é o fato das pessoas não confessarem o verdadeiro amor pela MPB. No site “MPB é o que há” (nomezinho sugestivo…) você encontra diversas personalidades, e isso te assusta de início. Não que um amante de MPB tenha que tatuar “Marisa monte” na testa, mas… Complica se ele usa coturno e sobretudo com olhos pintados de preto com camisas de banda góticas.

Eu não sei muito bem a minha opinião quanto a isso, mesmo esse sendo um texto altamente opinativo, o que eu sei é que depois dessas e outras, melhor ir ouvir Ana Carolina e pensar nas letras tocantes do que tentar entender esse povo, porque de MPB e louco, todo mundo tem um pouco.

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Coluna de mais a mais – Por Nathália DePaulla

Maio 2, 2008

 Desistência

A escola de Ballet Cridança situada em Vitória, após divulgar planos e projetos para o Festival Internacional de Danças de Joinville, que acontece em julho deste ano, confirma a desistência da participação, mas não diz o motivo. Dizem as más línguas que os vários patrocínios rasgaram contratos, já que a escola não recebeu nenhuma premiação nos últimos meses. Será?

 

Contratação Imediata

A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, após formar sua primeira turma no final de 2007, divulgou a lista de bailarinos contratados. Entre eles, em primeiro lugar está a bailarina Stephanine Ricciardi, aprovada pela escola em 2004. Stephanine foi preparada pela Escola de Dança Monica Tenore (Vitória, ES) e se formou junto com os outros 40 alunos. Em comemoração, o Bolshoi apresentou o Ballet de repertório “Dom Quixote”, em que a bailarina contratada interpreta Kitri, solista da obra.

 

Cadê a solução?

Foi divulgada no site de notícias do MSN.com a nota de que a polícia confirmou a participação dos pais da criança Isabella Nardoni no crime que aconteceu no último dia 29.  Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá não confessaram o crime, mas a perícia confirma a participação dos dois. A mãe biológica de Isabella, Ana Carolina Oliveira, alega que havia um ciúme doentio por parte da companheira do pai da menina e que a convivência do casal não era nem um pouco harmoniosa. A polícia descarta também a participação de uma terceira pessoa no crime, já que não há indícios de arrombamento e não há a possibilidade da invasão de um estranho no prédio, que possui um sistema de segurança adequado. Agora, nos resta esperar que a justiça seja feita e os culpados paguem por seus crimes.

 

 ”Xeque do petróleo”

É assim que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi chamado por um jornal Argentino, agora que descobriram um megacampo de petróleo na Bacia de Santos. O apelido deve-se ao fato de que o campo conseguiu bater o recorde de barris de petróleo encontrado no megacampo de Tupi, o maior até agora. Estima-se que na Bacia de Santos poderão ser retirados 33 bilhões de barris, contra 8 bilhões de Tupi. Até agora a Petrobrás não desmentiu o possível descobrimento, colocando “panos quentes” na situação. Resta saber se a economia do país terá um “happy ending” ou se isso contribuirá somente para a popularidade do senhor presidente.

 

Triângulo Amoroso

De acordo com o site americano “Pop Crunch”, Jennifer Aniston atualmente se preocupa em negar os rumores de seu affair com o tão cobiçado Orlando Bloom, enquanto outra bomba explode envolvendo o nome do ator. Amigos alegam que Orlando esconde a ligação com Aniston da modelo Miranda Kerr, seu atual romance. Orlando e Jennifer foram flagrados no início desse ano em um glamouroso passeio de barco e recentemente em um restaurante, mas ainda continuam no famoso “apenas amigos”.  Mas, segundo uma amiga de Aniston, Bloom contava com sua lábia, para esconder o suposto romance com a estrela de “Friends”, mas não contava com os paparazzis de plantão. E agora, Bloom?

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Presente de Grego (Em formato de carta ao presidente)

Abril 21, 2008

Excelentíssimo senhor Presidente,

Resolvi escrever-lhe para compartilhar com vossa senhoria as três coisas que podem me irritar profundamente em uma semana de aniversário: pessoas me tirando do sério, minhas alunas errando toda a coreografia e a sua popularidade aumentando. Sim, você não leu errado, eu confessei que a cada ponto de seu crescimento um fio de cabelo branco nasce na minha pessoa, tamanha indignação!  Pergunto-me como conseguem gostar tanto do senhor mesmo com tudo aquilo que vemos nos jornais.

                                                                                                                                                                                              

Saiba que tudo corria muito bem até o senhor invadir a minha manhã. Era sexta feira, meu aniversário e eu tinha acabado de receber a minha tão maravilhosa nota de redação jornalística, quando ansiosa, escutei atentamente as instruções para minha nova produção: Uma crônica!

 

Creio (e espero) que o senhor saiba do que se trata uma crônica. Pois é, depois da palestra que tivemos, fui encorajada a escrever uma e estava muito feliz até saber a sugestão do tema. Ouvi aquela pergunta que me gera um ar de espanto e me revira ao estômago: “O que acham de produzir uma crônica baseada no crescimento da popularidade do presidente em ‘não sei quantos por cento’?” Pausa. Nesse momento eu tive a vontade de gritar. Como o senhor pode ser tão popular diante das gafes que comete?

 

Prestei muita atenção quando ouvi minha professora dizer que teve essa idéia ao corrigir provas às duas da manhã. Talvez como presidente o senhor sabe (Ou deveria saber) que governar um grupo grande é muita responsabilidade, e talvez o sono a tivesse afetado e ela teria feito alguma confusão. Respirei fundo no meio de toda aquela agitação esperando uma correção, mas infelizmente ela confirma que o senhor é realmente muito popular.                   

 

Depois disso, uma série de idéias e perguntas começaram a passear pela minha mente um tanto quanto insana e revoltada contra o senhor. Por Deus, quantas comparações! Não me envergonho de dizer que se colocasse nessa pequena carta tudo aquilo que me vem a cabeça quando penso sobre o seu modo de governar, ganharia um processo, mas é a mais pura verdade.

 

Tudo bem que o senhor tem um poder de persuasão enorme e merece um crédito por pular a faculdade e ir direto à presidência enquanto eu acordo às sete todos os dias para estudar como louca sabendo que nem por isso eu vou chegar no senado, mas será que mesmo assim esses números não deveriam baixar!?

 

Poderia compará-lo agora com umas 1.500 pessoas para explicar porque digo isso, mas ok, farei comigo mesmo. Quem não se lembra da crise aérea caótica no ano passado!? Pois é, fiquei sabendo que mesmo com acidentes fatais e transtornos na vida de milhares de pessoas, sua popularidade manteve-se intacta. Enquanto você desfruta de cartões corporativos, eu faço triplas piruetas na ponta dos pés desafiando a física e não sou popular… Eu sei que o senhor deve ter rido agora, mas não se engane, mesmo brincando minhas comparações continuam sendo sérias.

 

Enquanto notas de dinheiro “voam em malas e cuecas” como dito por Elisa Lucinda no texto “Só de sacanagem” e o senhor diz não saber de nada, eu continuo indo dormir as 4h45m da madrugada fazendo um maravilhoso dicionário visual para a disciplina de Projeto Gráfico e ainda assim não sou popular! Não são os estudantes o futuro do país? Cadê o meu crédito?

 

Pode parecer egoísmo, mas não é! Oras, com tantos brasileiros que fazem a diferença no anonimato, por que só o senhor é o único que mesmo nos decepcionando tanto “enfeita” nossas páginas de jornais? Claro que peço desculpas aos que o apóiam, mas eu me sinto no direito de lhe explicar o porquê da minha inocente implicância contigo.

 

Não sei se o senhor sabe, mas em um bairro simples de Vitória (aquela mesma cidade que o senhor visitou há semanas atrás) vive uma senhora que adotou 25 crianças e deu casa, comida e educação a todas elas. Uma guerreira, não é!?  Só que, com exceção de seus vizinhos, ninguém a conhece. Será que uma pessoa que faz questão de sair do país para dizer com todas as letras que por aqui uma das melhores coisas é a cachaça brasileira tem mesmo que ser mais popular do que essa senhora? By the way, morri de vergonha quando o vi dizendo isso em pleno discurso. Que coisa mais feia, presidente!

 

Como uma boa cidadã, eu não uso dinheiro público para construir palanques país afora e ser populista, pelo contrário. A cada vez que piso em um palco, parte do meu dinheiro está ali também, já que o seu governo não dá apoio nenhum às artes. Será que o senhor deveria MESMO ser popular se arte nada mais é do que cultura e cultura está diretamente relacionada à ensino, e ensino completo e de qualidade era o que o seu governo deveria dar para nossas crianças? Fome Zero já foi feito, mas ainda temos o “Cultura Zero”. Até quando?

 

Eu tento até hoje bater o recorde de fouettés feitos no século passado por uma bailarina famosa e ninguém reconhece, mas fiquei sabendo (com muito desgosto, claro), que mesmo com todos os “bafões” da presidência, a popularidade do senhor bate recorde. Injusto!

 

Tantos brasileiros mereciam reconhecimento por coisas brilhantes que fazem e mesmo assim continuam em suas casas vendo as gafes do homem mais popular da atualidade após o “boa noite” da Fátima Bernardes e do Willian Bonner sem reclamar (incluindo quem vos escreve). Eu me pergunto aonde foi parar o bom-senso do nosso povo e o seu próprio bom-senso, que aceita as felicitações e consegue dormir tranqüilo mesmo sabendo que não faz por onde receber tantos elogios.

 

Confesso que fiquei imensamente feliz ao saber que a região Sudeste não se rendeu ao populismo e se manteve fora de toda essa pantomima, não tendo aumento no índice de popularidade (Ponto para mim!), talvez nosso senso crítico esteja mais aguçado e nossos olhos mais abertos para uma realidade que nos corrói a cada dia, aquela realidade que infelizmente o senhor nos obriga a viver.

Claro que o tempo todo brinquei com o senhor na carta ao comparar o meu cotidiano com o seu, mas no fundo a coisa é mais séria do que se pode imaginar. Será mesmo que o nosso país precisa de alguém no comando que só saiba viajar ou provar destilados? Será que a falta de alimento, transporte e saúde para alguns poucos (ou nem um pouco) afortunados vai ser resolvida com frases nem um pouco engraçadas nos discursos que acabam virando piada no Youtube? Aliás, considero sua popularidade muito relativa, porque posso me referir ao senhor todos os dias, mas com certeza não é de forma saudosa.

 

Não sei se deveria estar dizendo isso, mas enquanto o senhor brinca de chefe de tribo, eu prefiro comemorar meu aniversário (Por pouco não arruinado), estudar para as provas e me formar com boas notas na faculdade para encarar o mercado de trabalho como tantos outros, afinal, eu não recebo o mensalão…  Mas qualquer coisa, o endereço está no verso do envelope, logo a frente da palavra “remetente” grafada pelos correios, e da palavrinha “indignada”, escrita a caneta logo antes desta.

 

Au Revoir, senhor presidente.

Até o próximo desabafo,

Nathália DePaulla. ©


Presente de Grego

Abril 21, 2008

Por Nathália De Paulla

Bem, existem três coisas que podem me irritar profundamente em uma semana de aniversário: Pessoas me tirando do sério, minhas alunas errando toda a coreografia e a popularidade do Lula crescendo. Ok, como não quero dar nomes aos bois, vamos falar sobre o que já está nomeado no meu texto. Sim, você não leu errado, eu fiz um insulto discreto ao presidente e mantenho no rosto aquele sorriso insuportável de uma pessoa que odiou saber que mesmo com tudo aquilo que vemos nos jornais, ele ainda consegue ser popular.

Tudo corria muito bem; Era sexta feira, meu aniversário e eu tinha acabado de receber a minha tão maravilhosa nota de redação jornalística, quando ansiosa, escuto atentamente as instruções para minha nova produção: Uma crônica!

Depois da pequena palestra sobre crônicas com um cronista de A Gazeta, eu passei a me interessar muito por esse gênero. Comecei a ler algumas, desgostar de outras e claro, fiquei louca para escrever. Como sugestão do tema, ouço aquela pergunta que me gera um ar de espanto e me revira ao estômago: “O que acham de produzir uma crônica baseada no crescimento da popularidade do Lula em ‘não sei quantos por cento’?” Pausa. Entrelacei os dedos e os coloquei sobre a bancada do laboratório enquanto ouvia a minha professora dizer que teve essa idéia ao corrigir provas às duas da manhã. Tudo bem, talvez o sono a tivesse afetado e ela teria feito alguma confusão. Pausa outra vez. Ela confirma que a popularidade do indivíduo havia crescido de fato e que foi publicada em algum lugar que não me lembro agora.

Eu anotei o tema e uma série de idéias e perguntas começaram a passear pela minha mente um tanto quanto insana e revoltada contra o presidente. Por Deus, quantas comparações! Quantas piadinhas infames que me renderiam um processo caso ele viesse a ler minha crônica! Fui pra casa e comecei a pesquisar sobre ele, e percebi que minha raiva ia aumentando a cada título que lia com um número maior relacionado à sua popularidade.

Tudo bem que ele tem um poder de persuasão enorme e merece um “crédito” por ser o primeiro a pular a faculdade e ir direto a presidência enquanto eu acordo às sete todos os dias para estudar como louca sabendo que nem por isso eu vou chegar no senado, mas será que mesmo assim esses números não deveria baixar!?

Poderia compará-lo agora com umas 1.500 pessoas, mas ok, farei comigo mesmo. Quem não se lembra da crise aérea caótica no ano passado!? Pois é, fiquei sabendo que mesmo com acidentes fatais e transtornos na vida de milhares de brasileiros, a popularidade dele não caiu. Por Deus, o que esse homem tem??? Enquanto Lula desfruta de cartões corporativos, eu faço triplas piruetas na ponta dos pés desafiando a física e não sou popular… Eu sei que você que está lendo deve ter rido agora, mas eu não tenho razão?

Enquanto notas de dinheiro “voam em malas e cuecas” como dito por Elisa Lucinda no texto “Só de sacanagem” e o Lula diz não saber de nada, eu continuo indo dormir as 4:45h da madrugada fazendo um maravilhoso dicionário visual para a disciplina de Projeto Gráfico e ainda assim não sou popular!

Pode parecer egoísmo, mas não é! Oras, com tantos brasileiros que fazem a diferença no anonimato, por que dar crédito ao único brasileiro que anda nos decepcionando tanto seria correto? Claro que peço desculpas aos petistas de carteirinha, mas como esse espaço é meu (Sim, é meu!) eu me sinto no direito de dividir minha indignação com alguns de vocês.

Ontem eu conheci uma senhora que adotou 25 crianças e deu casa, comida e educação a todas elas. Uma guerreira, não é!?  Ela vive em um bairro simples em Vitória e com exceção de seus vizinhos, ninguém a conhece. Será que uma pessoa que faz questão de sair do país para dizer com todas as letras que no Brasil uma das melhores coisas é a cachaça brasileira tem mesmo que ser mais popular do que essa senhora?

Eu não uso dinheiro público para construir palanques país afora e ser populista, como se referiu José Carlos Aleluia (Presidente do DEM) ao Lula há alguns dias atrás… Pelo contrário. A cada vez que piso em um palco, parte do meu dinheiro está ali também, já que o governo do tal Lula não dá apoio nenhum ás artes. Será que ele devia MESMO ser popular?

Eu tento até hoje bater o recorde de fouettés feitos no século passado por uma bailarina famosa e ninguém reconhece, mas fiquei sabendo (com muito desgosto, claro), que mesmo com todos os “bafões” da presidência, a popularidade dele bate recorde desde o período Collor. Injusto!

Tantos brasileiros mereciam reconhecimento por coisas brilhantes que fazem e mesmo assim continuam em suas casas vendo as gafes do homem mais popular da atualidade após o “boa noite” da Fátima Bernardes e do Willian Bonner sem reclamar. Eu me pergunto aonde foi parar o bom-senso do nosso povo.

Confesso que fiquei imensamente feliz ao saber que a região Sudeste não se rendeu ao populismo e se manteve fora de toda essa pantomima, não tendo aumento no índice de popularidade (Ponto para mim!), talvez nosso senso crítico esteja mais aguçado e nossos olhos mais abertos para uma realidade que nos corrói a cada dia.

Claro que o tempo todo brinquei com vocês no texto ao comparar o meu cotidiano com o do Lula, nosso “querido” governante, mas no fundo a coisa é mais séria do que se pode imaginar. Será mesmo que o nosso país precisa de alguém no comando que só saiba viajar ou provar destilados? Será que a falta de alimento, transporte e saúde para alguns poucos (ou nem um pouco) afortunados vai ser resolvida com frases nem um pouco engraçadas nos discursos que acabam virando piada no Youtube?

Não sei, mas enquanto isso eu prefiro comemorar meu aniversário (Por pouco não arruinado devido ao presidente) e estudar para as provas e me formar com boas notas na faculdade e encarar o mercado de trabalho como tantos outros, afinal, eu não recebo o mensalão… ©

 


O melhor amigo do homem… Ou vice versa

Abril 21, 2008

Por Nathália DePaulla

Eu sempre preferi amigos cachorros, ou melhor, cachorros amigos. Com certeza acho mais interessante ter por perto um quadrúpede assumido, do que um amigo que se comporte como um quadrúpede.

Mas a minha história é um pouco diferente. Sei que é ótimo viver aquele lema milenar de que o cachorro é o melhor amigo do homem, mas o que fazer quando eles acham que no contexto o amigo é você!? Há dois anos Nina chegou à minha casa. Eu estava no banho e alguém meio que invade o banheiro com sorriso empolgado e algo no colo. Linda, pequena e com bem menos pêlo, era quietinha e ainda não tinha forças para subir no sofá ou pular na minha cama e deitar no meu travesseiro… Ainda!

Entretanto, eu percebo a cada dia que ela leva muito a sério o fato de ser considerada integrante da família, vejo que com o passar do tempo eu me torno a mascote dela! E mais do que picar meus papéis importantes e se irritar quando ligo o som, a parte mais tocante (para não dizer irritante) é o pavor que Nina tem por livros… Todos eles!

Era uma tarde de quinta-feira. Eu ouvia Lorie e conversava com alguns amigos pela internet quando Nina pula no meu colo. Imaginem digitar com uma Yorkshire de 51 centímetros no colo… Ok, eu relevo.  Decidi que queria ler, e então peguei um livro da minha série predileta, com a Sarah Jessica Parker na capa. Coloquei Nina em um canto da cama e me deitei de bruços, a fim de ler um pouco.

Foi aí que a confusão teve início! Nina sem pensar duas vezes, colocou suas patas dianteiras entre meus cotovelos apoiados na cama e pulou para o meio, ficando entre o livro e eu. Olhei com aquela expressão de reprovação que diz “Se enxerga, Nina!”, esperando que fosse funcionar, mas não funcionou. A vi apoiar o focinho nas patinhas e deitar… Em cima do livro!

Vamos abrir um parêntese: considerando que ela tem dois anos, em anos caninos ela teria 14. Uma adolescente. Lembro-me de que era considerada endiabrada quando tinha essa idade e pintei o cabelo de rosa pink, então, sendo minha Yorkshire uma adolescente (Será que vocês se sentiram estranhos ao ler isso do mesmo jeito que eu me senti escrevendo?), ela estava querendo atenção.

Brinquei um pouquinho com ela, fiz carinhos e aquelas bagunças típicas de donos de cães; finalmente quando ela estava com meio metro de língua pra fora fiz o meu momento! Esperei ela deitar e peguei de volta o livro me colocando na mesma posição. Eis que surge em cima da cama, Nina. Ignorei o fato e estaria tudo bem se ela não tivesse colocado suas patas dianteiras entre meus cotovelos apoiados na cama e pulado para o meio, ficando entre o livro e eu… De novo!

O resto vocês já sabem, focinho nas patinhas e cabeça em cima do livro. “Hah… é brincadeira!” Falei sem acreditar quando vi a cabeça daquela bola de pêlos bloqueando as letras em negrito do livro. Arrastei-me na cama e empurrei cuidadosamente o livro alguns centímetros acima, a fim de tentar ler (somente tentar) e não incomodar o belo cochilo dela. Não cheguei nem ao meio do primeiro parágrafo e lá estava ela. Linda e bela… Em cima do livro! Em um movimento seco, Nina se arrastava e se colocava de novo no meio da minha leitura.

“What the hell, Nina!?!?” Agora que já falava pensando no fato de que ninguém iria acreditar quando eu contasse (Como você deve estar fazendo agora, caro leitor), e me levantei indignada. Sentei na cama, recostada em um travesseiro e coloquei o livro sobre os joelhos dobrados, deixando Nina onde estava.

Sorri, pois agora eu iria ler… Ou não. Nina se levanta. Arregalo os olhos pensando que seria impossível ela tentar fazer algo de novo. Parece que a cena acontece em câmera lenta de tão incrível. E não é que ela pula no meu colo e se mete justamente aonde me atrapalharia? Fecho o livro com raiva e ligo a TV (nada melhor do que um controle remoto, a menos que esteja passando a programação de domingo!). Nina delicadamente desce da cama, se espreguiça esticando todos os músculos do seu fofinho corpo, sacode-se e sai do quarto, abanando o rabo e indo brincar sozinha com sua bolinha cor de rosa.  

“Hã???”

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