Seis.

janeiro 18, 2012

Por Nathália DePaulla.

*Para Danyara Corona, que pediu um texto aqui no blog mas merecia uma página de jornal.

“Ei, você sabe onde é a sala de jornalismo?”

“Não, eu também to perdida…”

“Então calma aí que a gente desce juntas essa ladeira ridícula e se acha.”

Seis anos é muito para lembrar essa cena. Mas como assim não lembrar a cena que deu início a um mundo paralelo de risadas, micaretas, fossas, bafões e pensamentos positivos(?) para que o professor de Economia morresse de gripe aviária? Conhecer a Dany foi de longe a parte hilária da faculdade e a parte mais inacreditável também, porque quando você menos espera, ela fala cinco palavras que se tornarão o próximo jargão do grupo e que você vai passar vergonha quando falar em público e ninguém acreditar no quão improvável aquela frase é.

Foi menos de um período para ver o tamanho do coração da Dany, infinitamente maior que nossas saias e shortinhos de micaretas mesmo com o defeito da válvula mitral. Aliás, é possível amar tanto a ponto de desgovernar a válvula mitral? Sim, para a Dany é. E enquanto eu queria caminhar até Colatina para bater no elefante que a magoava, ela agüentava todos os meus chilicotrecos de bailarina em crise que sempre faltava na aula mais importante para ensaiar.

Foram meses de companheirismo, anos de parceria sentadas na última fileira e inúmeras situações complicadas, inclusive quando ela teve o dever de almoçar comigo em casa para que minha mãe tivesse certeza de que ela era tão traquinas quando eu antes de viajar para São Mateus em uma tórrida missão de fim de semana. Ou será que era Colatina? Talvez ninguém nunca saiba que o ônibus seguro nunca existiu e no lugar tinha um carro à 120Km/h guiado por um amigo de 20. Ela agüentou o Pedrinho recém-nascido gritando, fraldas, minha Yorkshire ainda sem banho e a lasanha com katchup, que eu descobri depois que ela odiava!

Caminhar com a Dany pelo campus era pedir para chamar atenção. No lugar dos livros, celulares e sessenta mensagens para os digníssimos namorados na época, no lugar do jeans, as saias que nos impediam de subir escadas. Uma loira, uma morena. Uma sociável, a outra emburrada e anti-social. As duas… Loucas.

“Eu não tenho grana pra ir nesse show, diva!”

“Cala a boca, eu já comprei o seu ingresso e você vai.”

Essas eram as brigas que rolavam. E que se desfaziam quando ela foi a única que passou meu aniversário de 21 anos comigo. Nada demais, um balde de coca-cola, uma pizza, o silicone recém colocado da Dany e um presente infame. Ainda não tive coragem de usar o “pintômetro” que ela me deu, mas… Continua guardado!

Sentar no Burguer King sem você não tem graça. Outra faculdade? Ah, não… Tinha que ter a Dany! Tinha que ter as conversas, as brincadeiras, as irritações e as falcatruas. Tinha que ter alguém me chamando de “vaca” no Orkut, me deixando depoimentos lindos. Tinha que ter o sorriso, a gargalhada de meretriz e os conselhos, as idéias sem noção. Tinha que ter a Nathye segurando vela, operando a webcam nas noites mais malucas da Dany. Aliás, tinha que ter até o ciúme quando ela deixou o time das solteiras… Mas tinha também que ter a torcida, a amizade, o desejo de que tudo desse certo para ela. Tinha que ter esse encontro, a distância, o reencontro e a descoberta de uma admiração que eu nem sabia que existia dela por mim e que eu talvez nunca tenha deixado claro a minha por ela. Tinha que ser do jeitinho que foi.

Esquece o sono, desce a ladeira

Vai até o último minuto daquele calor infernal,

Bagunça o shopping, compra coisas que nem precisa…

Se mostra amiga, fiel, se distancia e depois volta.

Cobra tudo que pode, faz merda, faz rir

Conquista pessoas, sonhos, conquista nas micaretas,

Mostra mau humor no primeiro dia de aula…

Me conquista assim!

É indecisa, as vezes irrita e no final você esquece

Ela não quer saber da tua opinião.

Não pensa, ou pensa demais antes de fazer qualquer coisa.

Mas no último minuto te manda entrar no MSN e estremece.

Ela nunca te chama pelo nome,

Faz voz esganiçada de adolescente e te chama de Diva.

Ela também mostra que nunca te esquece…

Mais que um bom motivo para também nunca ser esquecida.

É a única filha da puta que me faz escrever poemas!

Não importa onde, é sempre Diva.

…Acho que te amo também, Dany!

Pode não ser a foto do Burguer King, mas sei que foi sua foto de Mural...


Dois mil e quanto mesmo?

janeiro 11, 2012

Por Nathália DePaulla.

Come horrores no natal. Aí desintoxica, tira o laquê do cabelo, refaz a unha e sai de novo em busca de uma roupa nova. Só tem uma semana, é ano novo, não vale passar de cara lavada nem com roupa sem graça. Corre no shopping não encontra nada, acaba no supermercado comprando Heineken. Bebe tudo, compra mais, conta as horas, escolhe um vestido fashion, pega estrada com a Miana. Vai falando besteira. Encontra as tias.

Abre uma latinha. Tira a Rafa de perto da piscina, ri do João no “Bipe da Tia Miana”, morre de medo dele ferrar com a bateria. Tira foto com os dois, sai bagunçada na foto. Abre mais uma latinha. Duas, três, quatro, nove, não sabe mais contar de tanta latinha! Intercala com vinho, com espumante, com a comida da tia Tatinha… Ah, o bacalhau da tia Tatinha! Ri da tia Tatona, dança salsa, come mais, ensina tango pra prima Giulia, come mais e encara o pudim da tia Paula…

“- Mas eu não como doce!”

“- Foi sua tia mais linda que fez, a que mais te ama e não quero saber, você vai comer!”

Então come o tal do doce, ri mais com a tia Tatona. Peraí, cadê o João? Vê o João fugir do berço com a Rafa, bebe mais uma Heineken, ajuda a recuperar a criançada. Dupla dinâmica dormindo, cadê o samba? Ok, colocam samba, dança mais um pouquinho, risada aqui, risada ali, come mais queijo do tio Pepa!

Foto, vídeo engraçado, mais risadas. DEU MEIA NOITE! Feliz ano novo, putada! Abraça uma, abraça duas, agarra todas as tias! Faz oração silenciosa para as irmãs, deseja muito o bem do melhor sobrinho, manda beijo e te amo mentalmente para alguém. Grita “puta que pariu” em coro com todo mundo, sacaneia o dono da casa. Sente falta de alguém.

“Poutz, faltou a tia Carla!”

Derruba a tia Paula, toma um tombo junto. Bebe mais!

Chora! Sim, porque no ano novo todo mundo chora de felicidade e emoção. Chora, ganha colo, vê todo mundo chorando junto e chora mais ainda. Dança com a Giulia de novo, aprende a tocar pandeiro com a tia, canta samba com a Pauleca e faz pose de rockstar com a Tatoninha. Todo mundo vai dormir, ficam só as melhores(?) acordadas. Muita conversa, muita música, muito nada!

O sol chegou, passou a madrugada, começou o ano de verdade. Bebe a última cerveja, mal troca de roupa, se joga na cama. Não, os bebês acordaram! Ouve o grito do João, o choro da Rafa, começa a rir sem ter dormido. Desiste de dormir, óculos de sol pra esconder as olheiras e um café forte. Abre a geladeira, dá de cara com a Heineken! E depois do café forte que tomou, ri da Miana indo resgatar o que sobrou.

Senta na rede antes da Giulia, liga o celular.

“Feliz ano novo, minha princesa. Te amo muito! Saudades de vc todos os dias!”

“Um ano novo repleto de realizações, minha coisa mais linda. Você é tudo de bom na nossa vida!”

“Feliz 2012, Nathye! Seja muito feliz”

Lê todas as outras mensagens, sorri com o carinho e amor de todos os amigos, da família, do outro amor. Relembra da noite com todo mundo, com as tias, vê as fotos na memória da câmera… Suspira lentamente, abre uma latinha e sorri feliz. Guarda tudo na memória da forma mais bonitinha que consegue. Percebe como cada detalhe é uma história, como toda a noite valeu a pena.

E de resto assina a crônica, ou será que é um poema?

Muito bem vindo, 2012. Pode chegar!

"Feliz Ano Novo, Putadaaaaaa!"


Que amor absurdo é esse?

dezembro 28, 2011

Por Nathália DePaulla.

Eu não preciso estar perto e nem sentir o abraço a todo o momento. É algo maior que a distância, maior que qualquer certeza, maior que eu. Rever toda a nossa história me faz agradecer por ter recebido tal presente e me faz encher o peito de alegria com tantos momentos esplêndidos e que me fizeram ser quem sou. Nossa energia talvez venha de outras vidas, de outros encontros, do nosso acerto de almas… É mais que uma simples coincidência, muito mais que um fato qualquer, é a confirmação de que sempre temos dentro de uma mesma gota o mundo, aquilo que precisamos, nosso porto seguro.

Mentiria se dissesse que nossa convivência foi um jogo barato, um acaso ou até mesmo um erro. Viver sem sentir isso talvez me fizesse ter essa mesma casca, essa natural embalagem, mas… A ausência da nossa união nunca me daria tanta essência, o “a mais” que eu sei que não é mérito meu. O nosso amor ultrapassa rapidamente qualquer barreira, e até o mais raivoso telefonema ou e-mail é dissolvido no “te amo” que dizemos ao final. As vezes nós nem dizemos, mas, o fato de termos a certeza de que morreríamos por esse amor se fosse preciso é mais impactante e precioso que qualquer outra declaração de afeto.

Eu quero contar cada minuto que nos resta. Quero celebrar todos os que passamos em comunhão. Quero poder ter os sorrisos e abraços guardados na memória, marcados em mim. Quero poder olhar para trás e voltar para o presente com o mais belo do brilho nos olhos, eu quero muito mais da gente, quero eternamente essa doação, quero toda a nossa união. Eu quero estar assim, colada e eternamente apaixonada por toda a vida, em qualquer outra vida que eu tenha.

E mais que tudo espero poder SEMPRE poder chamá-las de minhas irmãs. Pois no mundo, não há amor maior e melhor que o de uma família unida como a nossa se mostra. Não há sombra de dúvidas sobre o carinho, sobre a proteção. Não há nada que importe mais que a nossa eterna trindade.

Eu amo vocês. Obrigada por cada dia, cada segundo. Cada pedacinho de mim que vocês fizeram e que me fizeram completar vocês. Prometo que pedirei todos os dias para que sejamos sempre mais em qualquer outra encarnação… Afinal, vocês são mais que tudo para mim e somos mais que tudo uma pela outra.

E me digam se puderem… Que amor absurdo é esse?

Eternamente,

Nathye.

Santíssima trindade. E com certeza teve gente que achou que eu falava de outra coisa quando leu o texto...


Não!

dezembro 21, 2011

Por Nathália DePaulla.

Depois de uma noite entre mulheres inteligentes consultando o futuro com o Tarot Mitológico…

Não, não vamos mais ficar presas nesse tormento maldito

Nunca mais passaremos pelo eremita sem aproveitá-lo ao máximo,

Falar palavras ao vento e ouvir coisas desnecessárias gastando a nossa energia? Nunca, nunca mais!

Nossa roda da fortuna nos eleva exatamente aonde queremos, que é a nossa sorte magnífica elevada a máxima potência. Invejem-nos!

Morremos. Morremos sim para o velho, para o sofrimento, para o que nos atrofia… Aqui jaz três mulheres que não percebiam a transformação. Transformação de tudo!

Estamos o início, mas em um início que vai sim chegar ao final de tudo aquilo que desejamos no nosso MAIS profundo ser (E desejamos muito!).

Confirmamos nosso presente com a jovialidade do cavaleiro que tem sim o velocímeno de ouro, mas, e daí que a máscara não nos permite ver? Nós já temos, é isso que importa…

Socialmente você nos vê como aquelas que precisam de direção, de ajuda. Nem vem… A nossa saga está no fim, estamos no mais concreto sete de ouros! Do sete até o dez, falta pouco…

Medos nós temos, temos medo de tudo… Mas enfrentamos esse maldito “tudo” com as burradas do jovem que tem o sucesso e ainda teme em enfrentá-lo. E daí, nós temos de novo, você não.

Em relação ao nosso deslumbramento… Tanto faz. Ao contrário de muitos, temos sim um baú cheio de insetos, cheio de coisas mirabolantes em meio a uma única estrela… Mas o que importa, se nós temos a estrela? Ela brilha!

Nós simplesmente temos. E vamos iluminar-nos com ela o máximo que pudermos, afinal, somos mulheres, corajosas, inteligentes, completas… Acima de tudo abertas a qualquer transformação que a vida nos dá. E a melhor parte: recebemos de graça, do universo, diretamente para nós.

Nathália, Luisa e Paula.


Como assim eu não tinha me dado conta disso?

dezembro 14, 2011

Por Nathália DePaulla.

Por esses dias, sentada no mesmo sofá de sempre eu perguntei a alguém como conseguíamos nos divertir tanto sem ao menos fazer esforço. Contorcendo-nos em risadas, óbvio que não sabíamos a resposta e isso tornava a situação mais deliciosa ainda. Antes de dormir ainda rimos das piadas infames de sempre e naqueles 20 minutinhos onde a mente vai desligando lentamente eu comecei a pensar na minha balança de felicidades e momentos tristes, mas, não os momentos tristes como aquele final de filme ou a hora de cortar o cabelo, elegi só os momentos tristes de verdade e quis saber se eles poderiam pesar mais eu o meu lado feliz.

Pensei na saudade eterna da mamãe, na vontade de ver minhas irmãs todos os dias nem que fosse por dez minutinhos e nas peripécias do Pedrinho que eu perco por não vê-lo crescendo pertinho de mim e me chamando de tia Thatáia às seis da manhã. Pensei nos meus melhores e inestimáveis amigos que foram embora, e acabou. Nada mais me incomodou e nem me pareceu tão pesado, portanto, fechei a minha balança.

Do lado bom, coloquei tudo aquilo que me alimenta dia após dia. Mensagens carinhosas, meus telefonemas absurdos com as amigas de longe, aquela ressaca moral da última balada que agora volta com tudo, as caipirinhas com a Luiza, as semanas eternas de bagunça com as tias, o colo de outras e o carinho astronômico de uma tonelada de gente que me faz respirar melhor, me faz bem. Lembrei de como é bom ouvir uma certa pessoa me dizendo “Eu te amo muito, muito mesmo” mesmo nem estando presente na minha vida agora e lembrei também dos “te amos” das 3 pessoas da família que são as únicas que importam mais que tudo.

Quanta coisa! Eu via um filme enorme passando pela cabeça e por várias vezes tive que me esforçar um pouco mais para lembrar das coisas ruins… Bem que me disseram que elas aos poucos somem, diminuem e não fazem diferença. Aos poucos eu fui me perdendo nos pensamentos, senti tudo ficar leve e até a voz que contava histórias na minha mente ficou suave e serena. Adormeci com o peito cheio de alegrias e agradecendo até mesmo pelas coisas ruins que me abrem sempre espaços para outras definitivamente melhores.

Acordei no dia seguinte com cabelos espalhados no travesseiro, olhos inchados de tanto dormir e uma preguiça que não me deixava soltar o travesseiro, mas o sorriso no rosto era tão grande que em menos de um minuto eu estava andando em pulinhos pela sala e ouvi a pergunta que resumiu todo o meu resto do dia. Porque eu estava descabelada, de pijamas e pulando como o João quando está empolgado? Simples, porque eu me dei conta de que sou muito, mas muito feliz…

E ainda acordo com um suquinho de maracujá esperando... Não tem como ser ruim!


Eu não quero saber!

dezembro 7, 2011

Por Nathália DePaulla.

Certas coisas parecem que perseguem. Aquele amigo chato, aquela escala de trabalho que você torcia para ser em um certo lugar e é outro, etc. Mas ultimamente além de me preocupar com a próxima cor de cabelo que eu quero e com que sapato eu vou para a empresa tenho percebido um plus em certos assuntos que na verdade, não me interessam tanto. Me peguei cansada, brava ao extremo e com um semblante que nada tem a ver com “meu jeitinho de principessa” como um certo alguém costuma me dizer.

Por Deus, será que fiquei intolerante? Será que no auge de meus 24 anos (mas para os íntimos ainda tenho 20, ok?) eu já me irrito tanto com o alheio a ponto de perder a minha energia com tantas pequenas grandes coisas? Não, não é verdade. Eu só me importo demais, me preocupo demais e ainda sou capaz de mudar o meu espírito por conta dos outros… “Mas não pode, Nathye, você tem que saber bloquear certas coisas.”

Pensei nisso também. E não, não vou bloquear… Mas não vou bloquear para ficar na eterna saga árida da vida ou na posição do Eremita como mais uma autista fechada para o resto do mundo. Eu só não quero saber! Não quero saber se concordam comigo, se odeiam meus amigos, se acham minha sombra preta escura demais para a cor dos meus olhos. Na verdade não quero saber nem que existe algo para saber. Não quero saber de ter que resolver problemas dos outros… Quero acordar sem pensar em nada, quero continuar dando meus pulinhos para me deslocar de um local a outro dos ambientes mesmo que pareça infantil demais andar trotando aonde vou.

Eu quero um pouco menos, para apreciar as coisas inúteis um pouco mais. Errar por MINHA conta e acertar por MINHA conta também. Poderia sentar e listar pelas pontas dos dedos tudo que eu quero e o que eu já não quero, mas… No fundo nem do futuro eu quero saber!

Talvez eu continue entornando o caldo, talvez eu seja eternamente a Rainha de Espadas do meu baralho, mas e daí? Eu sempre amei profundamente ser “eu”, porque eu mudaria agora? ©

Foto antiga, mas é esse o espírito...


Ah, Luiza…

novembro 30, 2011

Por Nathália DePaulla.

“Cala a boca!”

“Vai se ferrar!”

“Eu te amo, sabia?”

“Eu também…”

Nem parece verdade, nem era para ser. Mas do mesmo jeito que nenhum ser sabe explicar como as coisas acontecem e nem o por quê, talvez eu não saiba nos explicar. Quanto mais separadas, mais próximas pelos pensamentos positivos diários uma pela outra, quanto mais bravas, mais risadas com o dedo apontado na cara da outra tirando sarro do bico de brava e dos infinitos palavrões sem sentido nenhum que saem, que como diz a Adriana “são chiquetésimos para duas meninas educadas” como nós.

Do início, não lembro quase nada. Sei que foram horas até o resto do grupo ficar em silêncio porque naquele ambiente só nós duas falávamos. Depois disso tanta água passou por debaixo da ponte que a certeza de que a estrutura era sólida veio como um presente para as duas. São madrugadas fazendo projetos de arquitetura, são horas me ouvindo choramingar pela mesma história e são abraços infinitos a qualquer hora e sem razão que fazem o mundo voltar a ser bom. Você diz “Calma, você vai ver que tudo vai dar certo.” E de prontidão eu acredito porque do contrário você diria “Bem feito, você se fudeu!” Não há espaço para mentiras, para intrigas, para algo ruim… Aliás, entre nós duas não há espaço nenhum.

Uma é bailarina, a outra luta. De fato algo interessante havia de sair daí! Talvez porque vivemos histórias profundas antes de nos conhecermos, que ninguém mais sabe, e compartilhamos tomando leite e fumando cigarros de menta como se fosse a coisa mais normal do mundo contar. Talvez seja porque temos os mesmos assuntos absurdos e opiniões absurdas sobre coisas idiotas, mas que para nós são super importantes, como uma discussão sobre Baby Beef. Talvez seja porque eu quero ser mais relax como você e você mais fashionista (ou boiola como você costuma dizer) como eu, ou até mesmo porque aprendemos diariamente uma com a outra.

“Mas porque diabos eu quero encontrar o por que?”

Realmente, não me interessa o porquê. Me interessa saber que nossos momentos são únicos, que nossas gargalhadas são odiadas por qualquer um em locais públicos, que nossos abraços são sinceros e as vezes sem motivo nenhum, são somente abraços, que nossas situações hilárias não fazem sentido para ninguém, só para nós mesmas e que nós duas odiamos saber que perdemos tanto tempo de amizade em um hiato idiota antes de perceber o que tínhamos.

Me interessa saber que mesmo com todos os nossos “Vai tomar no seu c…” e com todos os berros de insultos carinhosos, a mais pura verdade está no “te amo” das mensagens, no “te amo” quando uma tem um motivo para chorar e claro, no “te amo” mais interesseiro que existe na hora das caronas e dos trabalhos de madrugada. Me interessa saber que nesse momento, a tua amizade não ficou mais ou menos importante… Ela demonstrou ser essencial.

Amo você, sua idiota. Muito!

Suadas, nojentas, sempre ferradas e mais felizes que nunca.


Capítulo final

novembro 16, 2011

Por Nathália DePaulla.
*Para Carla Fiori e Paula Ubinha.

E de repente tudo muda. O chão some do lugar de costume, o ar nem dá as caras pelos pulmões e o peito parece pisoteado, doído e meio morto. Nem sempre o ‘’tal do essencial’’ constrói o ‘todo’ sozinho, alguns pequenos detalhes que você nem imaginava serem importantes detonam toda uma história linda e cheia de vida, que agora jaz numa caixinha lá na prateleira do passado.

Ninguém pode ao menos te salvar. Entender o que se passa dentro de você muito menos e não adianta dizer que vai passar porque no fundo sabemos que as coisas não passam, elas se tornam menos matadoras, mas passar… Nunca. É por isso que todo mundo tem marcas.

Mas aí o telefone toca como se fosse uma sirene de segurança no segundo seguinte em que seu mundo saiu de órbita, como aquilo que impede o último bip do seu monitor de freqüências cardíacas naquele momento crítico. Impressionante a sincronia. Você não precisa falar uma frase completa para transmitir a gravidade do problema, quem te conhece, quem já sentiu o que você sentiu reconhece nas suas mais lacrimosas palavras o que se passa e pode imaginar o que você sente. Mas tem a distância, o tempo ruim, o compromisso inadiável e por cinco minutos você pensa que as paredes do apartamento brancas, já escurecidas pelo fim de tarde vão te engolir no seu pior momento, e o pior de tudo, sozinha.

Até que ao olhar da janela, tem algo lá embaixo te esperando. Nem de longe era o meu príncipe encantado em um cavalo branco, mas por sorte é uma outra guerreira em um cavalo negro que espera para recolher o que restou de você em um abraço. De novo você não precisa dizer nada. Uma promessa de cuidado, o carinho que vem junto do abraço e a certeza de que tudo vai ficar bem faz com que você não afogue nas lágrimas teimosas e consiga esperar outros cinco minutos até estar no quentinho do sofá.

Entender você ainda não vai entender. Acreditar que aquilo aconteceu e estragou o seu sonho quase-perfeito também não. Então você acorda no dia seguinte com a claridade difusa do sol, sem lembrar muito o que houve e porque está ali. Não, não foi só um sonho ruim… Não tem nada na sua caixa de mensagens e o ‘’tchau’’ foi realmente dito daquela maneira. Se você não fechar os olhos e controlar o reviver da noite anterior tudo volta na mesma intensidade e você enlouquece, arranca do peito o coração e joga longe.

‘’- Tem que haver um lado bom, tem que existir algo que amenize essa dor.’’

E você acalma na medida que entende que poderia ser pior. Poderia não ter o toque no celular com preocupação, alguém te esperando lá embaixo e nem um carinho que faz a diferença nos dias seguintes. Poderia não ter outros telefonemas preocupados e nem o esforço de quem te recebe para animar cada segundo seu e te fazer sorrir mesmo com os gritos por dentro. Poderia ser um capítulo inteiramente sozinha. Poderia não ter o colo daquelas que você precisa…

Poderia não ter o sofá.

Obrigada.


Obrigada, medo!

novembro 9, 2011

Por Nathália DePaulla.

Nem sempre é ruim ter medo. O problema é o que você faz com ele… Meus medos sempre me consomem, me fazem estragar alguma coisa e me afastam de algumas pessoas que eu sempre coloco no botão de start do miserável medo. E depois de todo o nevoeiro acabo percebendo que consertar o que o meu medo traz de brinde é sempre mais tortuoso e chato que destruir o medo dentro de mim. Não destruir com um ponto final numa batalha onde a lei é que vença o melhor, mas, destruir em cima de uma nova construção, um entendimento e uma memória para futuros momentos de medo onde eu possa dizer “Espera, eu sei de onde isso vem…”.

Eu gritei até cansar. Reclamei horrores como quem põe uma música no repeat e questionei um pouco mais que infinitas vezes o por quê daquilo tudo. E ao final, claro, estava sem respostas, cansada como quem nada um oceano inteiro e praticamente correndo numa corda bamba que nem é minha. Então quer dizer que a minha tentativa de afastar o medo e descobrir o por que do por que só piorou tudo e quase me levou ao caminho inverso?

Claro, você procurou as respostas do seu medo fora de você.

Então que comece tudo de novo! Que venha o medo, que venham as dúvidas e tudo bem, podem trazer junto a raiva, a irritação, o mau humor completo, a quietude que irrita qualquer um do meu convívio e que por pouco não me faz perder meio milhão de coisas e claro, o chafariz de lágrimas que toda chorona tem agregado naturalmente. Se é para seguir conselhos, então que eu siga finalmente o conselho de olhar para você ao invés de te afastar, medo… Que eu consiga encontrar todas as minhas respostas dentro de mim, na minha própria essência.

Talvez doa, talvez surpreenda, quem sabe até não me deprima? Mas não tem problema algum ao passo que junto com tudo isso, eu consiga sair do medo rindo do fato de ter tido medo. E o mais importante, que eu saia dele mas sem deixar que ele saia de dentro de mim para que não estrague minhas coisas, meus caminhos as “minhas pessoas”.

Então, medo, informo-lhe que por uma pegadinha do destino você vai viver para sempre colado em mim, fazendo cócegas aí dentro. Mas o ponto alto da questão é que eu nunca mais vou deixar você se sobressair e a gente vê quem desiste primeiro e deixa o outro quietinho. Aposto todas as minhas fichas que vai ser você. ®


Alívio para críticas

novembro 2, 2011

Por Nathália DePaulla.
*E aconteceu em meados de 2010. 

Eu nem queria conhecer essa tal amigo da minha amiga. Pensei por várias vezes como seria chato sentar numa mesma mesa acompanhada de uma parceira que não lembraria meu nome após a 9° tequila e um psicólogo que em breve seria também psiquiatra. Depois da briga com o armário e uma sessão terapêutica de maquiagem (sim, passar delineador sem borrar é terapia!) eu estava dentro de um táxi ouvindo uma música duvidosa e indo para o bar escolhido.

- Moço, tem a possibilidade de fazer o retorno e voltar para o lugar onde você me pegou?

Até tinha, mas fiquei sabendo que demoraria o dobro do tempo pelo trânsito e também pela falta de retorno próximo. Ok, não tinha mais jeito e eu queria não ter saído de casa, mas, pensei que seria um desrespeito com meus sapatos novos tirá-los da caixa para dar uma voltinha de táxi e retornar sem ao menos deixá-los tocar o chão de uma pista de dança. Não se faz isso com um sapato de 13 centímetros de idade e couro puro, trabalhado em treliças.

O Bar. Esse sim merecia mais destaque… Som gostoso, pessoas interessantes e uma vodka sempre gelada que misturada com hortelã faria a minha alegria pelo resto da noite. Antes mesmo de chegar à mesa peguei um copo no balcão, já que no momento do nascimento esqueceram-se de colocar em mim o gene da falsidade, que me faria sorrir quando na verdade eu queria gritar. Não adianta, se eu te odeio, você VAI saber. Dois goles depois e eu sorri amarelo quase neon para minha amiga e seu convidado. Ok, ele combinou xadrez com listras. Por favor, alguém me salva?

- Não Nathye, tá no inferno… Abraça o capeta.

Sentei. Conversa vai, conversa vem e eu podia ser coroada a rainha da superficialidade. Até que em duas piscadas de olhos eu estava bêbada. Piscadas demoradas essas que já haviam bebido incontáveis doses de vodka com hortelã… Maldição, a Nathália bêbada não sabe disfarçar, é mais que sincera e não engole nem girinos, que dirá sapos! Já que tinha perdido a amiga para a pista de dança e um cara de 30, 40 ou 60, nem sei, me restava o “doutor”. O anjinho do bem que sofre por ter que soprar coisas boas no meu ombro 24 horas estava tão cansado que adormeceu depois da vigésima dose e me deixou somente com o diabinho que me irritava por me fazer pensar em respostas ácidas o tempo todo!

“Ok, ele está me analisando. A diferença é que esse divã tem bebida liberada, petiscos e um DJ que -graças a Deus- não me deixa ouvir quase nada.”

Eu não podia respirar sem ser analisada. Até a marca do meu sapato foi tema da noite. Falei por horas, ouvi por horas em dobro e queria pular para a parte em que eu iria acordar com a fronha do travesseiro borrada de rímel, cabelo fedendo a cigarro e a dor de cabeça que me acompanha fielmente depois da famosa mistura Tequila+Absolut+Heineken. Não achei nenhum controle para apertar “foward”. Eu continuava a ser analisada pelo amigo mala da minha amiga bêbada.

3:15 da madrugada. Nunca faço saídas à francesa a essa hora pois geralmente é quando tudo fica mais interessante. Mas não dava mais! Ele era um psicólogo/psiquiatra… P-S-I-Q-U-I-A-T-R-A! Cansei das análises, pedi a conta e já batia o cartão na mesa esperando a maldita máquina do Visa quando a noite muda de rumo.

- Sua criação diz muito sobre você, sabia?

- Ah, é mesmo? E o que ela anda te dizendo, hã?

- Somente coisas boas.

Minha análise tinha me dado respostas. Respostas que só têm aqueles que consideramos cheios de si e com uma falsa segurança de dar nojo, um falso conforto. Uma resposta que me faria ter alívio de toda e qualquer crítica invejosa e mesquinha. Meu alívio de criticas!

- Somente coisas boas???

- Sim, sua criação fez tudo certo; Tirando uns rabiscos aqui e ali que são seus, da sua personalidade ariana, está tudo no seu devido lugar. Só coisas boas…

Sorri. Que burra em ser tão negativa em relação àquela noite fora do comum, no bar legal e com uma amiga que estava só em vias de entrar em coma alcoólico e um senhor psicólogo, psiquiatra, tanto faz. Tive vontade de ligar para a mamãe que tanto me criou e dizer “obrigada”, mas minha irmã ia enfartar com o telefone tocando naquele momento. Sentei-me confortavelmente na cadeira, guardei o cartão na bolsa e me fiz de sonsa quando o garçom trouxe a conta.

- Não, não… Acho que vocês se confundiram. Na verdade, eu queria mais uma Heineken.